terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Sun Garden cumpre papel na formação da cena e atrai polêmica discussão

FUNDAMENTO
Curioso como numa cidade de cerca de 300 mil habitantes, que insiste em ter identidade própria e se nega como quintal de, por exemplo, Salvador, as pessoas ainda levantem negativas infundadas à cultura raver. Típico fundamento urbano, fenômeno mundial já plenamente aceito, a gente reexplica: raves são festas que acontecem em espaços afastados do centro urbano, como sítios (se bem que todo projeto de entretenimento no centro urbano tem recebido represálias), tem longa duração com, normalmente, mais de 12 horas, onde um pool de artistas (promoters, hostess, artistas plásticos, visuais e performáticos, clubbers e, principalmente, DJs) apresentam seus trabalhos, interagindo com público multiplicando sons e imagens.

Originalmente, rave é uma terminologia que surgiu em Londres (um dos centros mundiais multiplicadores de bem-vindas novidades), em 1960, denominando festas locais, típicas da contra-cultura. Mas foi na década de 80 que o termo se difundiu, braço do movimento acid house de Chicago, nos EUA, e evoluiu pelo mundo, tomando cor até no Oriente. Menos que rave só as privates (ou PVTs), que são festinhas menores, mas sob a mesma bandeira, onde só vão convidados e convidados dos convidados, também feitas em lugares ao ar livre. Vitória da Conquista já conhece bem esta realidade.

POLÊMICA
Minto: a cena está formada, mas quem conhece mesmo é quem vai, olha, sente, dança e, invariavelmente, se posiciona. Talvez por isso a exasperação em torno do comentário de críticos que afirmam que tais festas são motivação certa para consumo excessivo de drogas. A Sun Garden, que rolou no sábado (16/02), a partir da meia noite, e seguiu até o meio dia do domingo (17/02) foi, como em várias festas, alvo deste atípico comportamento do que se espera de quem forma a opinião pública. Claro que a hipocrisia não é mais símbolo desta mesma cena, que também tem seu lado cínico, próprio da explosão de valores, onde os fatores comerciais muitas vezes se sobrepõem às intenções culturais.

Existe, sim, consumo de drogas em festas como estas, bem como em diversas festas dos mais variados gêneros. Mas também seria estúpido imaginar promoters distribuindo, gratuitamente e aleatoriamente, comprimidos de ecstasy ao público, numa atitude de vistas grossas ou cega às próprias intenções de se promover diversão inteligente. Seria, num mais alto grau, caso de saúde pública. Assim como é estúpido negar o livre-arbítrio daqueles que consomem substâncias químicas ilícitas e o fazem longe da segurança contratada para assegurar um ambiente cultural saudável a quem não usa e conhece efeitos nefastos.

COSTURA URBANA

Atentos a estas discussões, os próprios produtores da cena, que fazem parte de núcleos como o Sunzoom, que assinou a rave, já defende campanhas de conscientização. Utilizaram peças gráficas para informarem os posicionamentos que seriam tomados, caso alguém fosse pego em flagrante consumindo qualquer espécie de droga. Já vale por representar um apoio às causas de redução de danos. Paralelo a isto, ainda falta um trabalho de reeducação ambiental (vide quando o dia amanhece e o lixo se choca com a décor).

Também falta uma aceitação maior à democracia de pista, onde os variados gêneros da música eletrônica merecem espaço. Apesar do trance dominar a recente história da e-music em VCA, psy já é um estilo que desgasta se tocado uma noite inteira. O que não quer dizer que a qualidade técnica dos DJs estejam anuladas. Ao contrário, apesar da ausência de Lobão se fazer sentida e de Robertinho se posicionar como o mais experiente entre os DJs, é possível perceber uma cena se renovando, com nomes promissores, tipo Borré, ou já bastante incensados como Tony (raro nome do electro por aqui) e evoluindo, como Trindade beirando o spank noise.

Uma cena que também dialoga com projetos de fora, como o Freak Factory, hermético, mas bacana. O público também se rejuvenesce, espelho de uma organização que se supera a cada festa. O que foi a incrível décor, por exemplo? Pura imagem psicodélica, new raver, fundamento da hora. E os looks? A aposta vai do make artsy às indefectíveis botas, saias, shorts, tops, óculos escuros, roupas fluo, ponchos, animes. É couture! Street, mas é. São estas análises que valem a pena serem percebidas, representações de um comportamento que toma corpo diante do sombrio espectro que paira sobre a noite de Vitória da Conquista, que tem visto lugares legais fechando e raras idéias interessantes sendo executadas. Pra ser funny, sem ser piegas, no drugs.

FONTE: http://www.voceve.com.br/

TEXTO: Marco Antonio J. Melo

FOTOS: Marco Antonio J. Melo e Nalim J. Melo

3 comentários:

Anônimo disse...

Se for pra acabar com festas, então vamos acabar com o carnaval, época que se prolifera o HIV, o futebol que gera guerra de torcidas matando inocentes, a cachaça responsável por milhões de mortes no trânsito, etc. O foco está na conscientização e educação e não na proibição. Vamos acabar então com o Senado e Câmara dos Deputados, porque lá rola a maior festa do país bancada com o nosso imposto de "otários" contribuintes, chamada corrupção da grossa. A musica pode ser para alguns como vi e ouvi dizer, que poderia ser uma lavagem cerebral nas raves, mas gosto é como um braço, tem gente que nasce sem, e gosto não se "discute"... Assim aos críticos e curiosos, ta na hora de conhecer, de ver o lado bom da coisa. Como sempre digo, da mesma forma que outras festas, a rave gera emprego, atraem turistas, mostra-se preocupada sim com nossa juventude. Muitos falam...poucos resolvem...
Um abraço a todos
TONY CEZAR SOUZA

Anônimo disse...

bom fico feliz pela cena esta tomando e ter chegado a esse patamar , mas isso nao é surpresa pra ninguem, os organizadores .. tem q mostras e dar exemplos, para q a midia e as criticas de auto escalão veja o lado bom do evento e q efetivamente os promoters e organizadores se preocupem com esse quadro, pois eu como dj e produtor de festa tbm, me preocupo muito com essa situaçao, pois sou pai, gosto " só" do som eletronico e ponto final. Quanto a diversificaçao de outros generos.. tbm concordo , pois a cena em conquista esta resistindo, mas nao tem jeito... tem q aderir.. aos generos q estao em alta, o psy ja tem seu lugar na cena mas no auge.. como antes... nem tanto.. eu lembro de um dia em uma reuniao não ofical de djs comentei q o electro vai tomar conta e vai entrar com tudo nas raves e clubs olharam pra mim como se dissesse " nunca rave foi feita pra PSY" isso faz 2 ano e meio e hj oq me dizem taii...! Hj os produtores de psy produz electro e alguns ate parou de produzir psy para produzir electro e suas ramificações... a musica eletronica é como a technologia, evolui rapidamente... temos q mostrar para o publico e dar oportunidade pra djs novos q tem uma visão diferente " um gosto" para mostrar para o publico... sejam ousado nao esperem acontecer para ir atraz, façam a cena, saiam na frente, não precisa sair nas capitais pra depois absorverem aqui... se lancem nesse mundo eletronico... democratizem seu publico... provem de outros som ... um ABRAÇO PARA TODOS....
DJ PITSPIN GUIMARAES

Anônimo disse...

muito bom o texto(marquinhos) e as opiniões concordo plenamente. vida longa a e-music local e que venha mais "HAVE?) ahahahahahah nessa cidade ninguém faz sexo,usa drogas ??? para com isso...

Miguel Côrtes