terça-feira, 4 de março de 2008

Bob Dylan começa sua nova passagem pelo Brasil nesta quarta

Dez anos se passaram da última visita de Bob Dylan pelo Brasil e o mito em torno do bardo só aumentou, com filmes, documentários, tributos e investigações sobre sua vida e obra lançados a torto e a direito. Naturalmente, a expectativa para a quarta vinda do cantor ao país não é pequena: mesmo com ingressos com valores para lá de salgados (até R$ 900), a procura não vem sendo pequena para os dois shows em São Paulo, nesta quarta (5) e quinta-feira, e no Rio de Janeiro, no sábado.

Dylan apresenta aqui o seu mais recente trabalho, "Modern times" (2006), disco que o tornou a pessoa mais velha ainda viva a atingir o número um da "Billboard", aos 65 anos. O registro deu prosseguimento à sua renovada lua-de-mel com os críticos, após passar uma parte dos anos 70 e a maioria da década de 80 enfrentando narizes tortos. Não que a polêmica seja algo estranho ao cantor - mesmo em seu auge, os enfrentamentos tanto com imprensa quanto com fãs eram constantes.

Claro que os momentos mais aguardados de sua apresentação ainda são os clássicos sessentistas: o repertório nunca é exatamente o mesmo, show após show, mas "Blowin' in the wind", "Like a rolling stone", "Ballad of a thin man", "Highway 61 revisited" e "All along the watchtower" vêm aparecendo nas mais recentes performances.

No último domingo (3), em Guadalajara, México, o bardo se apresentou para cerca de 5.000 pessoas no Auditório Telmex. Segundo relato da agência Notimex, Dylan não se comunica muito com o público. Dá um "obrigado a todos", apresenta os músicos da banda e, de resto, só canta. Toca guitarra nas quatro músicas iniciais e depois se dedica a ficar ao teclado e ou à gaita.

Admiradores mais velhos e uma platéia mais jovem em Guadalajara se misturaram para ver o show, que não traz nenhuma pirotecnia como as apresentações dos Rolling Stones - só para se manter na mesma geração de artistas. E é em "Like a rolling stone" (na última passagem pelo Brasil, tema de um dueto entre Dylan e Mick Jagger) a catarse do show, quando o público abandona os assentos marcados e fica em pé para dançar e dar os aplausos mais fortes da noite.

Nenhum comentário: