segunda-feira, 24 de março de 2008

Dark Side Of The Moon, por Paulo Ricardo

Hoje, dia 24 de março, o histórico Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd, faz 35 anos de lançamento. O disco é considerado pelos fãs do Pink Floyd como a grande obra-prima da banda. Além disso, é um marco do chamado rock progressivo. Não bastasse, é o terceiro álbum mais vendido no mundo inteiro.

Para comemorar essa data tão importante pro mundo do rock, segue abaixo, texto escrito por Paulo Ricardo, fã confesso de Pink Floyd, contando sobre a importância histórica de Dark Side Of The Moon.

É justo dizer que o Pink Floyd foi o Radiohead dos anos 70, assim como “The Dark Side of the Moon” foi o “Sargent Pepper’s...”do período. Música a serviço da inteligência. Conceito, ruptura, salto quântico, enfim, ainda que o mítico álbum tenha se tornado um clássico, fica mais fácil entendê-lo quando contextualizado.

A euforia hippie, Thimoty Leary e as experiências com LSD (que levaram um dos fundadores do Floyd, Syd Barret, o Arnaldo Batista inglês), à loucura e a contra-cultura construíram o cenário perfeito para este manifesto quase que psicanalítico das verdadeiras raízes da porra-louquice.

De onde vinham aquelas veementes manifestações de inquietude, inadequação, desobediência civil e repúdio à hipocrisia vigente? Eram os deuses astronautas?
Aonde, afinal, se encontrava a tênue fronteira entre o certo e o errado, o permitido e o proibido, o sagrado e o profano? Estas questões martelavam a cabeça de Roger Waters, baixista, vocalista e compositor da banda que havia perdido seu pai na 2ª guerra.

Universitários ingleses, o Pink Floyd construiu uma sólida carreira no underground, mas com a entrada de David Gilmour, estavam prontos a alçar vôos mais ambiciosos. Pioneiros do chamado rock progressivo, tinham um olho no mercado americano e, ao mesmo tempo, a cabeça na nuvens.

Os Beatles já haviam lançado a idéia (execrada posteriormente pelo punk) do famigerado “álbum conceitual”, onde um LP girava todo em torno de um só tema. E, com um extremo bom gosto, técnica apurada, e uma disposição de extrair o máximo da tecnologia disponível, construíram uma obra-prima.

O disco é uma verdadeira viagem, extremamente visual e foi o pai dos samplers e dos loops. As canções, forjadas com o melhor das influências de jazz e blues que nortearam aquela geração, sublinharam os momentos de delírio que o protagonista (você!) vivia faixa após faixa. Aviões seqüestrados que explodiam, mil relógios despertando ao mesmo tempo, batimentos cardíacos, todos os efeitos sonoros funcionavam como um filme alucinógeno que se passava em nossas cabeças. E, ainda assim, estouraram hits como “Time” e “Money” – um rifaço em 7/4 funkeado que, num certo ponto, caía no 4/4 com um solo de sax e que chegou no topo das paradas americanas.

O álbum ficou mais de 25 anos no Top 100 da Billboard. Sua capa é tão conhecida quanto o logo do McDonald’s. Suas canções foram a trilha sonora de toda uma geração. Seu legado é imensurável. E há pouco tempo saiu o DVD da série Classic Albuns contando a história deste trabalho que é um divisor de águas. Eu recomendo.

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