terça-feira, 22 de abril de 2008

O ex-Beatle Ringo Starr lança "Liverpool 8"

O ex-Beatle Ringo Starr contempla a velhice e acena à meca
primordial dos Beatles em seu novo trabalho autoral, "Liverpool 8". É seu 14º álbum e mostra o artista em boa forma, com um repertório de doze canções que remonta aos dias de hoje o espectro sonoro de seu antigo grupo, aos moldes de seu ex-baterista.

Sem ranço de quem é aprisionado no passado, Ringo parece lidar muito bem com o passar dos anos e isso transparece nas reflexões incutidas nos doze temas de "Liverpool 8" -- das letras ponderativas ao clima típico de "Tempos Modernos" revisitados, sugerido pela fotografia central do encarte do CD.

O álbum também faz conexões com o pop de "Octopuss's Garden", canção de "Abbey Road" (1969) e uma de suas bissextas colaborações autorais junto aos Beatles, sem que isso rescinda ao mofo passadista, pois o arcabouço pop das canções do grupo é trabalhado de forma inteligente, sem que isso signifique emular a si próprio.

No álbum, Starr conta com a colaboração dos produtores Mark Hudson, seu parceiro de longa data, e Dave Stewart (ex-Eurythmics). Junto a Ringo, os dois se encarregam da direção musical deste disco, que figura dentre os destaques da discografia do ex-Beatle.

"Liverpool 8" é daqueles discos que soam melhor a cada nova audição e periga daqui a alguns anos ser considerado um dos melhores registros da personalidade do quarto Beatle em disco. Pois também enuncia a linhagem evolutiva de sua recente discografia solo, que atualizou a imagem pública de Ringo como artista pop em álbuns como "Vertical Man" (1998), "Ringorama" (2003) e "Choose Love" (2005).

Longe de parecer trilha sonora de baile de terceira idade, o que também não seria demérito algum, "Liverpool 8" mostra o Beatle mais desencanado refletindo sobre o passar dos anos, com o devido desapego que lhe é característico desde o auge da fama. E os ideais sessentistas de paz e amor ressaltados em alguns temas do disco reforçam ainda mais esta perspectiva.

Isso faz do álbum um lançamento atemporal pois, ao promover considerações sobre a vida que segue, Ringo Starr observa os retratos amarelados de seu passado glorioso e os colore com novas tonalidades, típicas do quase septuagenário que é.

Afinal, a vida é muitas vezes maior que a arte e Starr, além de testemunha de acontecimentos-chave do século passado, é um sobrevivente da era de ouro da cultura pop.

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