sábado, 31 de maio de 2008

Cavalera Conspiracy abre triunfalmente turnê mundial na Espanha

“Vamos detonar essa p#*. Madri!!!”.

Com o mesmo grito de guerra em português alto e claro que usava para comandar o Sepultura, Max Cavalera deu a ordem para o início oficial da turnê mundial do Cavalera Conspiracy. O grupo, que sela sua reunião com o irmão mais novo Iggor, estreou na tarde de sábado (30) no auditório John Lennon, em Getafe (10 km de Madri), no festival Electric Weekend.

O recado foi devidamente entendido, e parte da massa que lotava o recinto com capacidade para 40 mil pessoas se deslocou ao palco coberto do evento, abarrotando a enorme tenda precisamente às 20 horas. Ao lado de Marc Rizzo (guitarra) e Joe Duplantier (baixo), os irmãos que colocaram o Brasil em destaque no mapa do som pesado mundial fizeram um set furioso e direto de uma hora, apresentando o repertório de “Inflikted”, seu disco de estréia, e hits dos dois álbuns mais famosos e influentes do Sepultura, “Chaos A.D.” (1993) e “Roots” (1996).

A faixa-título do novo CD abriu a sessão, em meio a violentas rodas de pogo, de onde partiu uma chuva de copos de um litro de cerveja (aparentemente), molhando a pequena multidão desvairada e quase atingindo Max e a bandeira do Brasil que enfeitava os amplificadores. Mas nem a cevada suspeita, o suor alheio ou as cotoveladas importavam: já com alguns versos na ponta da língua, antigos fãs do Sepultura e possíveis novos admiradores prestaram reverência às músicas recém-saídas do forno.

“Sanctuary” e “Terrorize” vieram depois, da mesma forma como aparecem na ordem do disco, mas foi com a seguinte, “Refuse/Resist”, uma das mais conhecidas pedradas do Sepultura fase industrial (“Chaos A.D.”), que o público ovacionou o quarteto pela primeira vez.

Bom humor em portunhol

Bem-humorado e visivelmente contente com o début, Max aproveitava os curtos intervalos entre as faixas para arriscar palavrões em espanhol (“puta madre” e “cojones”!, entre eles). Fazendo força para voltar à velha forma, Iggor correspondia com risos e olhares cúmplices, observado da lateral do palco por sua mulher, Laima Leyton, com quem tem o duo de música eletrônica MixHell, e um de seus filhos.

“Vocês querem una más rápida?”, perguntou o vocalista ao público em portunhol, deixando de lado por um momento a voz gutural. Diante do urro afirmativo, vieram as pesadíssimas “Doom of All Fires”, “Hex”, “Nevertrust” e “Black Ark” de “Inflikted”. Quem era ejetado para fora da tenda a doses cavalares de pogo aproveitava para tomar ar, sacudir a cabeleira e bater os pés sob os estremecimentos dos riffs de Max.

Brindes feitos por Max à família Cavalera foram a senha de entrada dos tambores estrondosos da introdução de “Territory”, outra resgatada do baú do Sepultura e responsável por grande gritaria e cantoria no refrão. “Ultra Violent”, talvez a melhor do repertório do CC, e “Bloodbrawl”, fecharam o set.

Muita gente que já deixava a tenda acabou voltando quando soou o berimbau que sinalizava o bis. Ainda dava tempo de escutar as duas últimas, também da ex-banda dos irmãos reatados. Primeiro “Attitude”, seguida de “Roots”, o auge do set. Não faltou quem gritasse “Roooots, Bloody Rooots!” ao invés de “por favor” aos atendentes dos bares logo na saída da tenda. O aquecimento estava mais do que feito. Era hora de recuperar o folego, já que a noite ainda traria Iggy Pop & the Stooges – vigorosos e anárquicos como sempre -, o potente Queens of the Stone Age e a principal atração, Rage Against the Machine, que tocou a primeira música (“Bombtrack”) com seus quatro músicos encapuzados como prisioneiros torturados.

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