terça-feira, 27 de maio de 2008

Falta ‘raiva’ à nova Alanis Morissette

“Flavors of entanglement”, novo álbum da canadense Alanis Morissette, é repleto de loops e beats, mas está longe de ser exatamente dançante. Produzido por Guy Sigsworth, que trabalhou com Seal em “Crazy” e com Björk - em “Post”, “Homogenic” e “Vespertine” - além de “What it feels like for a girl”, de Madonna, o disco lembra a fase “paz e amor” da cantora, como quando ela voltou de uma temporada na Índia há alguns anos.

Logo na primeira faixa, “Citizen of the planet”, instrumentos indianos misturam-se a efeitos eletrônicos, criando um clima de deja-vu. Assim como em seus trabalhos anteriores – o mais recente é “So-called chaos”, de 2004 - as letras falam sobre experiências próprias com relacionamentos, política e comunicação, temas tratados na obra da cantora desde o início de sua carreira.

E lá se vão 13 anos desde que Alanis sacudiu a MTV e as rádios com seu “Jagged little pill”, mandando o ex-namorado e todo o resto às favas com canções explosivas ao estilo do hit “You oughta know”.

Pena que, neste novo estágio, a cantora fique tão em cima do muro em termos sonoros. Ao longo de “Flavors”, a sensação que fica é a de um emaranhado – bem pop, é certo – sem muita personalidade.

Até a paródia de “My humps”, lançada em 2007 com um vídeo em que aparecia dançando de maneira provocativa, era mais interessante. Reza a lenda, aliás, que a cantora Fergie, vocalista do Black Eyed Peas, enviou um bolo com o formato de um traseiro e um bilhete em sinal de aprovação.

Alanis até tenta dar vazão ao seu lado popuzuda com a dançante “Straitjacket”, cuja batida dançante parece ter sido feita sob medida para as pistas de dança. Mas não cola. A raiva que emana dos primeiros sucessos da moça faz falta.

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