domingo, 11 de maio de 2008

Lançamento Gal Costa - "Gal Costa Live at the Blue Note"

O CD "Gal Costa Live at the Blue Note" é o registro de um show da cantora baiana durante sua temporada no lendário clube de jazz nova-iorquino, em 2006. O repertório, "para americano ver", é de bossa nova (quase só Tom Jobim) e algum samba-canção antigo.

Muito à vontade e conversando bastante com o público em inglês, Gal está excelente, numa das raras oportunidades em que pode ser ouvida ao vivo num pequeno espaço. A tantas, diz à platéia que se sente cantando "na sala de casa".

E a banda que a acompanha cabe direitinho no espaço intimista do jazz-club: os experientes Adriano Giffoni (baixo), Jurim Moreira (bateria), Zé Canuto (sax alto e flauta) e Marcus Teixeira (violão e direção musical) têm campo aberto para mostrar muito do que sabem de jazz e de bossa.

A baiana, que já foi chamada por Caetano Veloso de "a cantora ideal da bossa nova", faz três delas logo de cara: "Fotografia" (Tom Jobim), "Desafinado" (Jobim e Mendonça) e "Chega de Saudade" (Jobim e Vinicius de Moraes). Se a interpretação não é tão precisa como a de João Gilberto, criador da batida da bossa, ela rivaliza em emoção com as versões do conterrâneo.

A diva traz duas de Ary Barroso ("Pra Machucar Meu Coração" e "Aquarela do Brasil", no arranjo mais extrovertido do álbum). Canta uma emocionada "Ave Maria no Morro" (Herivelto Martins) e um "Nada Além" (Mario Lago e Custodio Mesquita) bastante puxado para o jazz, só com o baixo marcante de Giffoni e os estralos dos dedos da platéia.

Gal volta à bossa com mais Tom: "Corcovado", "Triste" (numa versão agitada), "Wave", "Samba do Avião", "Garota de Ipanema" e "A Felicidade" (Tom e Vinicius). Aparecem também "Coisa Mais Linda" (Carlos Lyra e Vinicius), "Sábado em Copacabana" (Dorival Caymmi e Carlos Guinle) e "Copacabana" (João de Barro e Alberto Ribeiro) aparecem em medley.

O álbum tem ainda "I Fall in Love Too Easily" (Sammy Cahn e J. Styne) e um excelente "As Time Goes By" (Hupfeld), ambas do repertório do jazzista Chet Baker.

Na capa do álbum, a reprodução de um texto (no original em inglês) do crítico Ben Ratliff no "New York Times" ajuda a iluminar a audição. Ele elogia o fato de Gal ter adequado sua performance para as dimensões de um jazz-club e também a coragem de ter "usado ingredientes simples".
Por: ROGER MODKOVSKI

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