quinta-feira, 1 de maio de 2008

Simone e Zélia Duncan trocam figurinhas em CD

O tão esperado registro do encontro de Zélia Duncan e Simone começa a ser conhecido. O CD Amigo é casa, pela Biscoito Fino, antecipa o grande momento que será o lançamento do DVD no próximo mês. Simone e Zélia se juntam em um disco simples, um ao vivo feito para comemorar e somar. As diferenças aqui contam a favor e não estão maquiadas.

Zélia olha a música como uma menina. Ouvidos curiosos e atentos ao diferente e ousado, tem um gosto especial por misturas, experiências. Já Simone tem um perfil de uma senhora cantora, mais conservadora em seus trabalhos e sem grande vontade de transgredir. Alguns escorregões no repertório da década de 80 não apagam o brilho e, hoje, ficam apenas latejando nas FMs como uma fase do passado.

O encontro que parecia improvável aconteceu, e o efeito acabou sendo ao contrário. Não surpreende ouvir Zélia trazendo autores como Itamar Assumpção, Luiz Tatit e Alzira Espíndola, mas é diferente e bom ver uma Simone rejuvenescida homenageando Cássia Eller em Gatas extraordinárias, de Caetano Veloso, e na ousada e frenética Ro Ro de Agito e uso. O encontro em Meu ego, de Roberto e Erasmo, resume o ponto de interseção entre os dois universos: tem elementos Zélia, tem cara de Simone.

As diferenças de visão são naturais nesse encontro de duas artistas de personalidade forte e gerações diferentes. Simone é de uma época de que as gravadoras faziam grandes investimentos em marketing, Zélia é de uma fase em que o artista tem que produzir e batalhar pelo próprio trabalho. Zélia é cria do pop/rock, mas passeia pela tradição do samba, visita o choro, se transforma em muitas sem deixar de ser ela. Simone passeia a grande voz pelos compositores consagrados de sua geração. Ela é porta-voz de grandes e inesquecíveis momentos de Sueli Costa, Gonzaguinha e Ivan Lins. E, vale sempre lembrar, isso não é pouco.

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