quarta-feira, 25 de junho de 2008

Museu na Paraíba conserva músicas e memória de Luiz Gonzaga

Nascido em Exu (PE) e amado em Campina Grande (PB), Luiz Gonzaga pedia, em uma música que cantava com o filho, Gonzaguinha: "pense neu". Desejo atendido. Há 16 anos, José Nobre de Medeiros, 67 anos, transformou sua coleção de recortes de jornal, vinis, CDs, instrumentos e roupas do "rei do baião" em peças de museu.

Numa pequena casa, no bairro residencial do Cruzeiro, é possível encontrar todo o acervo musical do forrozeiro. O Museu Fonográfico Luiz Gonzaga é particular, não recebe nenhuma verba de governo, de organizações não-governamentais ou de empresas e se mantém com simplicidade. É que Nobre não aceita ajuda de político algum, para evitar o uso eleitoreiro do local.

No total, mais de 3 mil materiais fonográficos e 300 recortes de jornais são conservados ali. Como o local não oferece as condições adequadas para manter as peças há vinis de tiragem limitada, discos de cera de carnaúba (antecessores frágeis dos vinis) e fitas cassetes (que emboloram caso não sejam mantidas em ambientes arejados) todo o acervo está sendo digitalizado.

"A importância dele (Gonzagão) é grandiosa, não só para a música, mas também para a literatura. Através do rei do baião, Luiz Gonzaga, reconhecemos a importância do Nordeste. Ele foi um ícone para a nossa música e para a história do nosso povo porque retratava as nossas regiões e falava da situação de cada um de nós", defende o assistente do museu, Rogério Pereira.

Todo ano, no dia 13 de dezembro, a área externa do museu esta sim, ampla e espaçosa vira cenário de shows de artistas locais, que tocam músicas consagradas de Luiz Gonzaga. A data marca o nascimento do homenageado pelo museu e também um dos dias mais movimentados da casa. No período junino, a procura também aumenta mas não muito "porque ele fica longe dos festejos", explica Pereira.

Para o próximo aniversário do rei do baião, uma homenagem especial: uma estátua que está sendo confeccionada em Pernambuco será colocada na área externa do museu, ao lado de outras duas, a de Padre Cícero e de Frei Damião.

"O Nobre (dono do museu) disse que servirão para proteger espiritualmente o rei Luiz Gonzaga", conta o assistente.

Pereira, aliás, também é um fã apaixonado pelo forrozeiro. Tanto que não recebe nada pelo trabalho, que considera um hobby.

"Enquanto o nosso diretor, eu mesmo e os admiradores do trabalho do Gonzagão estivermos vivos, trabalharemos para preservar a história dele. E a gente tenta passar isso para as crianças também, para não deixar todo esse trabalho se perder", planeja.

O Museu Fonográfico Luiz Gonzaga fica aberto de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h.

Fonte: Agência Brasil

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