quinta-feira, 26 de junho de 2008

Teatro Mágico lança seu novo disco, '2º ato'

Exemplo de grupo que consegue sobreviver na independência dentro do difícil mercado musical brasileiro, o Teatro Mágico tem como trunfo um "pacote" que não oferece apenas música e, sim, uma "experiência". Algo que é totalmente consonante com o entretenimento que é comercializado nos dias de hoje. Daí o sucesso do grupo, que acabou de lançar o álbum "2º ato", distribuído de graça na internet.

Para quem está ouvindo o nome da banda pela primeira vez ou tem apenas uma vaga noção, o Teatro Mágico é uma autodenominada trupe liderada pelo paulista Fernando Anitelli e que começou a fazer sucesso em pequenos círculos até atingir um alcance nacional entre o público jovem. No Orkut, inúmeras comunidades são dedicadas à banda.

A "experiência" que proporciona o Teatro Mágico é uma mistura de "nova" MPB com arranjos pop e uma performance circense, com malabares e integrantes maquiados de palhaço, além de uma mensagem parte social, parte valorização da expressão pessoal.

Com uma forma de abordagem diferenciada, Anitelli, dono da marca Teatro Mágico, criou também uma empresa de entretenimento moderna, com consciência de que seu sustento não vem mais exclusivamente da venda de CDs. Percebeu isso antes do Radiohead e de "In rainbows". Vem faturando com shows lotados, para alguns milhares de pessoas, e a venda de CDs e DVDs (por preços condizentes com a realidade atual) e de merchandising da banda.

Tudo o que foi dito soa como ofensa da pior espécie para os fãs do Teatro Mágico, já que a mensagem primordial nas músicas e nas apresentações é o ideal hippie "por um mundo melhor", turbinado por um espírito de auto-ajuda século 21 e maquiado por suposta intelectualidade - "evoca-se na sombra uma inquietude / uma alteridade disfarçada"; "aborto certas convicções", dizem trechos da vinheta "Amadurecência", faixa inicial de "2º ato".

Neste segundo álbum, Anitelli prossegue com letras pretensiosas e que geralmente dão um resultado ruim. "Pena", faixa que versa sobre o próprio trabalho do Teatro Mágico, escrita com Maíra Vianna, traz linhas como "a matemática da arte em papel de pão" - que já deve rivalizar com os momentos líricos mais infelizes de Humberto Gessinger.

"O mérito e o monstro" mistura uma estrutura de canção à Zeca Baleiro, refrão NX Zero, reggae e scratches, ou seja, um saco de gatos que pode desagradar até o próprio fã de Teatro Mágico. "Abaçaiado" traz introdução eletrônica e cantos indígenas para desembocar em um forró universitário e guitarras distorcidas no refrão, com neologismos vergonha alheia ao longo da letra.

Mas não se pode negar que Anitelli sabe trabalhar muito bem diversos clichês da MPB e do pop que soam potentes e novidadeiros dentro da "experiência" que a trupe oferece, principalmente ao vivo.

E, mais uma vez, só merece elogios a forma inovadora como a empresa Teatro Mágico se comporta no mercado musical - talvez sejam mais ortodoxos internamente, já que Anitelli é o proprietário do grupo nos moldes normais. No entanto, ironicamente, é o tipo de louvor que causa certo estranhamento dentro do pretenso espírito humanista-socialista que traz a banda.

Baixe o disco do Teatro Mágico aqui.

Fonte: G1

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