quarta-feira, 9 de julho de 2008

Alanis Morissette tá de volta com "Flavors of Entanglement"

Após um hiato de quatro anos sem lançar álbum de inéditas, a cantora canadense Alanis Morissette se mostra amadurecida em novo disco autoral, "Flavors of Entanglement". Seu repertório é fruto de uma catarse emocional da artista, após desenlace afetivo com o ator Ryan Reynolds. A partir desse acontecimento, Morissette escreveu boa parte do disco, em direção contrária a de seu mais recente trabalho autoral, "So-Called Chaos" (2004).

No entanto, Morissette canalizou sua criatividade de forma positiva e utilizou seu ofício como uma espécie de terapia, sem deixar que o processo psicológico de elaboração da perda interferisse em demasia nos temas do disco. "Flavors of Entanglement" também enfatiza de forma velada o que acontece no mundo e como isso afeta a artista individualmente, notadamente em músicas como "Citizen of the Planet" e "Versions of Violence".

Mas quem aprecia suas canções de desilusão também não se decepcionará com o disco, pois temas como "Torch", "Giggling Again for No Reason", "Tapes" e "Incomplete" não negam a turbulência emocional pela qual Morissette passou. Também não apelam às dores de amor, como a cantora eventualmente já fizera em álbuns anteriores.

A postura descontraída com que deu vazão a seu novo repertório também se refletiu de forma positiva no apelo pop de sua música, que soa mais leve e sem a enfadonha carga emocional de mulher abandonada que ora chora suas dores ou deprecia o ser amado numa vingança melodramática --a anos-luz da garota que ganhou fama ao exorcizar seus "demônios internos" em "Jagged Little Pill (1995), disco que a alçou ao estrelato.

Em vez de dar murro em ponta de faca, Morissette atenta à vida que segue e faz música pop de adulto em "Flavors of Entanglement" --o que poderia ser traduzido em português como "Deleites de Alcova", ironicamente. Dessa forma, a cantora demonstra que o curto hiato sem inéditas lhe fez muito bem em âmbito criativo, pois a artista não se estagnou, repetindo fórmulas já exploradas.

Por Marcus Marçal/Uol

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