quinta-feira, 28 de agosto de 2008

U2 3D

O U2 sempre usou a tecnologia melhor do que a maioria das bandas, por isso não é de se estranhar que eles tenham sido a primeira delas a se lançar no mundo do cinema 3D. E o filme “U2 3D” que finalmente estréia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira é mesmo de um preciosismo técnico irretocável.

O filme foi lançado oficialmente no festival de Cannes deste ano, emprestando a credibilidade do melhor do cinema mundial para uma música pop sem sofisticação. Ele começa acompanhando fãs que correm desesperados a partir do portão de um estádio para conseguir o melhor lugar na grade. Mas quem está no melhor lugar é o espectador, que em segundos é jogado para dentro do palco da turnê "Vertigo" aproveitando os melhores ângulos, sempre no centro da ação e sem empurra-empurra.

E é aí que Bono é desmascarado. Sua performance, carismática e envolvente na vastidão de um estádio, capaz de sem esforço comover e entreter milhares de fãs, mostra-se exagerada e canastrona na tela grande. Ele finge (mal) sentimentos que estão longe, muito longe dali – a fúria em “Sunday Bloody Sunday”, o inconformismo em “Love and Peace or Else”, a tristeza em "Sometimes You Can't Make It on Your Own" – e a demagogia que incomoda muita gente quando é vista de pertinho incomoda muito mais.

A turnê "Vertigo" correu o mundo em 2005 e 2006 e foram necessárias sete apresentações para que as diversas câmeras capturassem toda a sua grandiosidade. A banda escolheu a América Latina como cenário para aproveitar o calor do público local e acertou; a vibração dos mexicanos, brasileiros, argentinos e chilenos transpira na tela.

O repertório do filme é mais curto do que o de uma apresentação completa desta turnê. Bem dividido entre o então álbum mais recente (How to Dismantle an Atomic Bomb) e clássicos, ele não traz surpresas e deixa de fora as obrigatórias "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e "Mysterious Ways", além das ótimas "Zoo Station" e "Until The End Of The World". Mesmo assim, ao longo do set, a banda provoca alguns arrepios ao provar que canções como “One” e “New Year’s Day” não perdem a força com os anos.

Por outro lado, a passagem do tempo castiga “Bullet the Blue Sky”, “Where The Streets Have no Name” e “The Fly”, que falham não pela relevância da composição, mas pela performance da banda: essas são canções que já foram apresentadas – e filmadas – com muito mais energia e paixão em turnês passadas.


Por Juliana Zambelo/Igpop

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