sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Caetano Veloso e Roberto Carlos cantam Tom Jobim

Nas lojas oficialmente a partir desta sexta-feira, o CD Roberto Carlos e Caetano Veloso e a Música de Tom Jobim marca o inédito encontro fonográfico do "Rei" com Caetano em torno da obra soberana do compositor que esteve no centro de criação da Bossa Nova, há 50 anos. Na seqüência do CD, editado graças a acordo inédito entre as gravadoras Sony BMG e Universal Music, chega às lojas (a partir do dia 17) o DVD que registra na íntregra o show gravado ao vivo em agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.

O disco é especialmente importante na discografia de Roberto Carlos, pois ele sempre gravitou em torno de obra autoral que começou a dar progressivos sinais de desgaste a partir dos anos 80. À sua moda, no tom conservador dos arranjos de seu fiel maestro Eduardo Lages, o "Rei" entoa - com a habitual exemplar afinação - Lígia e Por Causa de Você, músicas românticas, afinal, como tantas gravadas pelo cantor em seus quase 50 anos de carreira. Em Eu Sei que Vou te Amar, o "Rei" declama o Soneto da Fidelidade, de Vinicius de Moraes (1913-1980), parceiro mais constante de Tom Jobim (1927-1994).

O show que reuniu Roberto e Caetano foi idealizado com o pretexto de festejar os 50 anos da Bossa Nova. Mas nem tudo é bossa, ainda que os dois artistas cantem, juntos, músicas emblemáticas do movimento, como Chega de Saudade e Garota de Ipanema.

Dos seis duetos, o mais inusitado é Teresa da Praia, número em que Caetano e Roberto reeditam o gracioso diálogo travado na gravação original, de 1954, por Dick Farney (1921 - 1987) e Lúcio Alves (1927 - 1993). Com real interação, demonstrando prazer por estarem juntos e celebrando a obra de Jobim, Caetano e Roberto cantam também Wave, A Felicidade e Se Todos Fossem Iguais a Você.

Em sua parte solo, Caetano optou por abordagem camerística da obra de Tom, sob a moldura orquestral criada por seu maestro, Jacques Morelenbaum. Outro luxo de um encontro musical realizado em tom maior.

Por Mauro Ferreira
Fonte: O Dia/Terra

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