quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Em DVD, Martinho leva o público para a sala de casa

Conhecido por marcar reuniões musicais em sua casa - nas quais não apenas se canta samba, mas também se contam muitas histórias - Martinho da Vila levou o clima desses encontros para o palco, entremeando sambas com casos interessantes de sua vida e obra.

Gravado no Teatro da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), em São Paulo, o DVD O Pequeno Burguês (Canal Brasil/MZA) traz o sambista - sozinho, ou tocando pandeiro, ou acompanhado de um pequeno time de músicos - fazendo uma viagem no tempo em meio a sucessos como Menina moça, Pra quê dinheiro, Na aba, Depois não sei (música de 1981 na qual conta a história de sua família) e Tom maior, além de apresentar, nos extras, a inédita Filosofia de vida.

"Pensei em fazer um documentário, mas as pessoas gostam mesmo é do meu jeito de contar as histórias", diz o sambista, que abre o show só no palco, convidando a platéia a sentir-se como se estivesse em sua casa.

"Já estou acostumado com esse formato. Mesmo em shows com banda, às vezes abro os trabalhos sozinho, com o pandeiro na mão. A idéia é ser um documento do meu trabalho, não um show comum".

Antes do DVD, Martinho já trouxera o show de O Pequeno Burguês para o Vivo Rio, em agosto.

"Os fãs adoraram, mas é um formato que não é pra todo mundo, né? Imagina o cara indo assistir a um show meu numa praça, em pé durante uma hora, ouvindo histórias?", gargalha o cantor, que, também autor de sambas - enredo como Quatro séculos de modas e costumes, aproveitou para recordar causos da escola que lhe deu o sobrenome artístico, a Unidos de Vila Isabel, e também da própria história da MPB.

"No embalo do samba, uma música minha, fala do grande violonista Manuel da Conceição, o Mão de Vaca, e da Rosinha de Valença, primeiro violão feminino do Brasil. São nomes que têm de ser relembrados".

Além de recordar nomes gloriosos, Martinho criou diálogos entre o samba de hoje e o de tempos antigos - unindo o experiente Mané do Cavaco ao adolescente Gabriel de Aquino (violão) numa releitura de Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro.

"Conheço Gabriel desde pequeno. O talento dele vem de DNA, afinal ele é filho do João de Aquino (também violonista) e sobrinho do grande Baden Powell. Não tem como não se espantar com o talento dele", diz o sambista, que prepara para breve um CD com João Bosco, João e José (referência a seu nome completo, Martinho José Ferreira)".

"Vamos fazer um álbum de pandeiro e violão".

Por Ricardo Schott
Fonte: JB Online/Terra

Nenhum comentário: