segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Toni Platão lança DVD que firma separação do rock

Ex-vocalista do Hojerizah, maravilha-de-um-hit-só que criou "Pros Que Estão em Casa" (sucesso de 1987, tirado do disco homônimo de estréia), Toni Platão participou ativamente de shows de recordação oitentista. Dividiu palco com Nasi, Ritchie e Leo Jaime no DVD "Ploc 80" (2004), por exemplo.

Apesar de ter dado a seu primeiro DVD (também lançado em CD) justamente o nome de "Pros Que Estão em Casa" (Canal Brasil/EMI), o objetivo de Platão é escapar do passado. A ponto de, pela primeira vez em sua carreira, ter conseguido reler a canção numa versão que em nada lembra a original. À sua banda (Sérgio Diab, guitarra e violão; Wlad, baixo; Bruno Wanderley, bateria; e Rodrigo Ramalho, acordeon) pediu baixo em camadas e batida marcial, quase dançante.

"Antes, achava que tinha que cantá-la de forma crua. Tanto que só a apresentava em versões de voz e guitarra. Não conseguia pensar num arranjo que me satisfizesse", recorda o cantor.

O novo arranjo surge numa época em que Platão aproveita para reavaliar o passado e aprender com os erros do Hojerizah, um dos grandes nomes do rock brasileiro dos anos 80 que ficou na promessa.

"Cara, eu lembro de a gente se recusando a fazer playback em programa de televisão!", relembra. "Aquela coisa da época, de 'não quero tocar no programa do Chacrinha'. Acho que a banda acabou tendo o tamanho que deveria ter. Hoje, entendo muito mais o mercado, muito embora eu tenha fãs até hoje por conta dessa postura que a banda tinha".

Apesar de querer passar longe do oitentismo, Platão reservou momentos especiais para hits da época que tivessem a ver com seu trabalho. "Louras Geladas", do RPM, ganha uma cara meio francesa, meio jazzística. E um tom folk surge em "Carne e Osso", hit da banda-irmã Picassos Falsos.

"São músicas de amigos, que quis trazer para o universo que estou desenvolvendo com minha banda", explica Platão, que, como intérprete, segue uma concepção básica. "É aquela, né? Música só tem duas, a ruim e a boa. Muita coisa que faz sucesso cult é ruim e muitas canções populares são lindíssimas. Pensar que há uma música brasileira de elite é uma grande estupidez, não existe isso".

No início, só DVD

É nessa linha que "Pros Que Estão em Casa" vai, prosseguindo o trabalho iniciado no CD anterior, "Negro Amor" (2006). Colhe temas românticos de variadas procedências (tem "Movimentos dos Barcos", de Jards Macalé e Capinam, e "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", de Antonio Marcos) e os une a temas do pop, como "The Man Who Sold the World" (David Bowie) e "Because the Night" (Bruce Springsteen), ladeando-os a canções como a francesa "Mamy Blue", de Hubert Giraud.

"Nem queria lançar o CD. Só o DVD. Disco ao vivo é uma coisa de 15 anos atrás, quando se pensava em fazer um registro de show", diz Platão, que repetiu quase todo o repertório do álbum anterior, bisando também a abertura com "Mares de Espanha", de Angela Ro Ro. "Quis gravar meu show porque acho que é um marco na minha carreira. Passei a limpo minha história e acertei contas com o passado. O Canal Brasil apareceu e a EMI bancou o lançamento".

Apesar de a Som Livre ter editado "Negro Amor", o namoro de Platão com sua "nova parceira", a EMI, já é antiga. Diz que o presidente da multinacional, Marcelo Castello Branco, já havia se interessado pelo show em que mostrava o repertório do disco (apresentado entre 2005 e 2006 na livraria Letras & Expressões) antes de a Som Livre lançá-lo.

"Depois, a Som Livre não se interessou em lançar o DVD, porque não tinha verba", diz Platão, que se recusou a fazer simplesmente uma gravação de show, pedindo ao produtor Gringo Cardia uma concepção que apontasse para a estética dos videoclipes. "Apesar de termos gravado tudo num dia só, com 15 horas de produção, cada música tem uma textura diferente de iluminação, além de mudanças mínimas de cenário".

Com uma discografia solo pequena, além dos dois discos do Hojerizah (cujo debut será reeditado em CD em 2009 pela Sony BMG), Platão ainda pretende dar uma pausa no seu trabalho de intérprete para lançar um álbum como compositor, o primeiro após "Calígula Freejack" (2000).

"Compor é um sofrimento, mas é muito bom", relata o cantor. "'Tudo Que Vai', que fiz com Dado Villa-Lobos e Alvin L., e que o Capital Inicial gravou, pagou muita fralda e papinha do meu filho".

Por Ricardo Schott
Fonte: Agência JB/Uol

Nenhum comentário: