terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Biquíni Cavadão lança CD e DVD com sucessos que marcaram os anos 80

Há um risco impossível de ser calculado quando uma banda se propõe a repaginar sucessos referenciais de uma época. Ou a coisa vira cópia de si mesma, sem nada maior a acrescentar, ou descamba para a inutilidade. Em alguns (poucos) casos bem sucedidos, os famigerados discos de cover redefinem a história. O Biquíni Cavadão, banda também referencial da década de 80, quis correr esse risco e, ao lançar o Biquíni Cavadão 80 Volume 2, gravado ao vivo, ao contrário do primeiro, ficou no meio do caminho dessas três variáveis.

Com uma seleção de hits infalíveis da época a que se propõe a retratar – à diferença do primeiro volume, que se concentrou nos “lados Bs” dos anos 80 –, eles fizeram direitinho o cálculo entre o histórico e o inútil. E a média é um disco honesto, em busca de uma sonoridade contemporânea para músicas memoráveis.

“O nosso objetivo não era fazer nada melhor”, afirma, categórico, Carlos Coelho, o guitarrista da banda. “Queríamos que as versões se mantivessem famosas, mas que tocássemos de outra forma, com outro som, para mostrar como a gente gosta dessas músicas e como seria tocá-las hoje em dia”, completa. E a escolha do repertório foi fundamental para este resultado.

Novo público – “As músicas foram escolhidas porque adoramos elas no formato em que nos foi apresentada. Fizemos uns arranjos diferentes, porque tocar igualzinho não teria graça”, segue Coelho.

“Mas temos muito respeito e veneração pelos originais. São 20 músicas fantásticas que já estão aí há 20 anos, e é uma responsabilidade muito grande apresentar essas músicas para o nosso novo público, mais novos do que todas elas. Então, quisemos dar-lhes uma roupagem mais atual, criar coisas novas e ver o que se pode mostrar de interessante para essas músicas, mas de maneira nenhuma querendo fazer melhor do que já foi feito”, avalia o guitarrista.

Gravado no Circo Voador, Rio de Janeiro, palco-templo do BRock – como se convencionou chamar o protorock brasileiro da década de 80 –, e “onde o Biquíni Cavadão fez o primeiro show”, o CD e DVD têm representantes de cada um dos sentimentos da época florescente do movimento: o deboche do Ultraje a Rigor; o protesto da Plebe Rude; o romantismo e a melancolia dos Paralamas do Sucesso e da Legião.

Peso – Do próprio repertório, o CD traz uma releitura moderninha para Teoria (do disco Zé, de 1989), mais direta e reta do que a sua original. Aliás, o disco todo imprime guitarras e peso às músicas revisitadas. Exemplo disso é a faixa Até Quando Esperar, que já era pedrada antes, e vira paralelepípedo nas mãos de Coelho e com os vocais cada vez melhores de Bruno Gouveia.

“Procuramos uma sonoridade específica, e com o produtor Marcelo Magal – que é um guitarrista – nós queríamos trazer outras informações para a banda. Essa ajuda externa serviu para dar um passo à frente, mudar um pouco de direção”, explica o guitarrista da banda.

Além dos sucessos do rock brasileiro, o CD traz Tainted Love, de Ed Cobb, que ganhou notoriedade na gravação da banda Soft Cell; e o DVD, além da primeira, apresenta Overkill, da banda australiana Men at Work.

O audiovisual tem mais outras músicas que não estão no CD, como Vida Louca Vida; A Fórmula do Amor; O Astronauta de Mármore; Humanos; e Sexta-feira, esta, canção de 1998 da banda, que entrou no trabalho por ter feito parte do show de gravação.

Guitarras e firulas – E entre os pontos altos do CD e DVD estão Tempos Modernos, de Lulu Santos, que ganha uma intro com um piano de ares progressivos; Exagerado, faixa que abre o CD, e que tem o ponto alto na firula da guitarra de Coelho (“Foram uns trêmulos que coloquei”, disse, humildemente); Infinita Highway, que perde força nessa versão folk do Biquíni, mas ganha em beleza, com o bandolim, também tocado por Coelho.

Inútil (Ultraje) e Revoluções por Minuto (RPM) também merecem destaque, por terem sido mantidas como são, apesar de serem arejadas com novos arranjos. Principalmente Revoluções, que tem (um surpreendente) solo de guitarra de Hudson, da dupla sertaneja Edson & Hudson.

“Hudson é um guitarrista fantástico, que atuou num outro segmento, completamente diferente do dele, e arrebentou. Tanto que ele não canta, só toca. Foi um achado para nós. É como descobrir que o chorão dança balé”, brinca Coelho.

Ainda no quesito participações especiais, estão os cantores que fazem dueto com Bruno e realizam suas intervenções por telão: Claudia Leitte, cantando Romance Ideal (Paralamas do Sucesso); Tico Santa Cruz (Detonautas) para Índios (Legião Urbana); e Egypcio, do Tihuana, para Envelheço na Cidade (Ira!).

Biquíni Cavadão Volume 2 Ao Vivo é um disco fácil, que se ouve em uma sentada. E já virou show e turnê: “Pretendemos ficar dois anos girando com ele, e vamos levá-lo à nossa apresentação, no Festival de Verão”, que vai abrir o evento, dia 28.

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My Space Biquíni Cavadão

Fotolog Biquíni Cavadão

Por Ceci Alves
Fonte: A Tarde

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