sábado, 24 de janeiro de 2009

Feliz, Bruce Springsteen lança seu disco mais esperançoso

Bruce Springsteen sempre deu voz em sua música aos excluídos do sonho americano. Um dos artistas que mais se engajaram na campanha para que Barack Obama fosse eleito presidente dos Estados Unidos, Bruce teve merecido lugar de honra nos shows e festejos que celebraram esta semana a posse de Obama. Com fé nos ideais de igualdade social propagados pelo novo presidente dos EUA, o cantor lança terça-feira seu álbum mais esperançoso, Working on a Dream.

Diferentemente do grande disco anterior de Bruce, Magic (2007), que refletiu a desilusão do artista com a era de George W. Bush, este novo álbum, gravado com a fiel E-Street Band, não tem caráter explicitamente politizado. Springsteen marca posição nas entrelinhas. A esperança dá o tom de músicas como a faixa-título.

O álbum abre em grande estilo com Outlaw Pete, folk rock de clima épico e produção grandiosa (com cordas) que conta em oito minutos a saga de bandido do Oeste americano. Tal clima remete aos filmes de faroeste. Na seqüência, o rock My Lucky Day anuncia o tom feliz do CD com sonoridade típica da E-Street Band. É rock de batida pop. Working on a Dream, aliás, exibe sabor pop raro na discografia de Bruce, qualidade perceptível nos vocais harmoniosos de This Life, na balada Queen of the Supermarket e em Surprise, Surprise.

Fãs do cantor vão perceber que, apesar de toda a esperança contida em suas 13 faixas, o CD Working on a Dream não é dos álbuns mais felizes de Springsteen do ponto de vista musical e poético. As letras, rasas, estão aquém do padrão do artista. Exceções são os versos de Kingdom of Days, nos quais Bruce sustenta que o amor pode desafiar o tempo e a mortalidade.

Eles se impõem em repertório que inclui um blues elétrico (Good Eye) e um pungente tema adornado com vocais de estilo gospel, bem apropriados, aliás, para a faixa, que presta tributo póstumo a um integrante da E-Street Band, Danny Federici, morto em abril de 2007. A música se chama The Last Carnival e soa bem mais envolvente do que Life Itself, faixa que exemplifica a rala inspiração de Bruce.

Felizmente, o fecho do álbum é tão bom quanto seu começo. Contemplada com um Globo de Ouro, a bela canção The Wrestler foi feita para o filme homônimo e gravada no estilo voz-e-violão. Sinaliza que a inspiração não foi de todo embora com a desilusão de Bruce.

Por Mauro Ferreira
Fonte: O Dia/Terra

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