segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Alceu Valença lança CD que mistura Pernambuco e Oriente

Representando diálogos de um épico em cordel que escreveu para o cinema, Alceu Valença gesticula na varanda sobre os telhados de Olinda - locação dos filmes de sua vida, imagem gravada nas notas de suas canções. Nos violões do novo disco, Ciranda Mourisca (Biscoito Fino), uma ponte entre Pernambuco e os 'orientes' do mundo, feita de flores, pássaros e mulheres delirantes.

"Aos sete anos conheci Olinda, ouvi nas missas os cantos medievais e me deslumbrei com o mar. Sempre enquadrei as coisas com a câmera do olhar", conta Alceu. Foi assim que o poeta de São Bento do Una, agreste pernambucano, resgatou no CD canções litorâneas de sua obra, sugerindo roda de ciranda sombreada pelas influências árabes dos aboios do interior nordestino.

Aos 62 anos, Alceu é um rei de cabelos longos abrindo mais um Carnaval em Olinda, ritual cumprido desde 1970. Daqueles tempos, vieram canções que falam de flamboyants sangrando, chuvas de cajus e de damas como a doida das lantejoulas (de Deusa da Noite), e a doce bailarina de vestido azul (de Maracajá).

"Todos andavam pintados, um clima lisérgico. A bailarina era a Ana de Amsterdã, holandesa que dançava nos Quatro Cantos de Olinda". Hoje, a cidade já dança o frevo, com os blocos desfilando aos domingos. E Alceu comenta, gaiato, sua relação com a festa. "Carnaval para mim sempre foi para ganhar mulher. Agora sou um animador da festa", diz. E lembra que está bem casado com Yanê Montenegro, também sua empresária, a quem dedica o CD.

O casal tem duas casas em Olinda, pontos turísticos, e o filho Rafael, 7 anos, recusa viagens à Disney para passar as férias nas ladeiras. Durante a folia, Alceu às vezes anda nas ruas mascarado, única forma de não ser amassado pela multidão que o venera.

A próxima empreitada do compositor de imagens é na tela grande com seu Cordel Virtual - O Segredo da Luneta Mágica, filme que passou sete anos imaginando. "Perdi tudo no computador e descobri que já estava na cabeça", conta, antes de representar diversas cenas, com diferentes personagens em diálogos rimados, em ambientações que vão do cangaço ao circo.

Por Pedro Landin
Fonte: O Dia/Terra

Nenhum comentário: