sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Em novo disco, U2 busca equilíbrio entre rock e eletrônica

A gravadora tentou evitar, mas o novo álbum do U2, "No Line On The Horizon", que será lançado no Brasil no dia 2 de março, caiu na rede a partir de um computador australiano anteontem e já bate recordes de downloads ilegais mundo afora.

O disco - 12º na carreira da banda - é uma clara tentativa de a banda se equilibrar entre a eletrônica que passou dos limites nos anos 90 e o rock de origem para o qual o grupo retornou nos dois últimos álbuns. O UOL participou de uma audição do álbum na tarde desta sexta-feira (20) na sede da Universal.

Antes do vazamento, "Get On Your Boots", o primeiro single do disco, lançado em janeiro, sintetiza com perfeição a busca da harmonia entre as duas partes. Se dançante, a música tem um irresistível riff de guitarra turbinado com efeitos, assim como o sempre potente baixo de Adam Clayton.

A bateria vem carregada de arranjos (des)polidos em estúdio, e prova que é possível fazer um rock dos bons para dançar. Tanto que o remix, feito pelos DJs italianos Phra e Bot (do Crookers), periga não ser tão bom quanto a versão original. Como primeiro single, a faixa perde de longe para os dois últimos ("Beautiful Day" e "Vertigo", respectivamente), mas foi sem dúvida formatada para colocar o disco na boca do povo.

A produção ficou a cargo de três amigos de longa data: Brian Eno, Daniel Lanois e Steve Lilywhite. Pela primeira vez na história do U2, as músicas não foram feitas somente pelos membros da banda, os mesmos desde que o grupo nasceu, em 1976, na Irlanda. Eno e Lanois co-assinam nada menos que oito das 11 músicas que estão no álbum, hábito frequente em discos de música eletrônica.

Em uma delas, "Moment of Surrender", é clara a intervenção de efeitos de Brian Eno. A música, com mais de sete minutos de duração, é conduzida por uma linha de baixo que serve de cama para efeitos e texturas de guitarra, resultando num clima mezzo épico que realça a voz de Bono Vox.

Como em discos do U2 em geral os vocais são gravados mais altos que outros elementos, é natural que Bono apareça mais. Na faixa-título, que abre o CD, um refrão cantarolado faz do vocalista - como se fosse preciso - o ponto principal, numa típica faixa do U2. A mesma grandiosidade quase messiânica está em "Magnificent", que inicia com efeitos típicos de produtores para logo receber a indefectível guitarra de The Edge. Lembra a várias fases do U2 em música só, de "The Unforgettable Fire" a "Where The Streets Have No Name", só para citar duas. Mérito que pode sair pela culatra se a música - uma das melhores do álbum - receber a alcunha de genérica.

Além do riff de "Get On Your Boots", a guitarra de The Edge aparece feroz em outras duas oportunidades. Em "Stand Up Comedy", uma levada funk rock anos 70 garante o peso não encontrado em outros cantos no CD. O belo solo não tira da música sua principal característica: fazer par com "Get On Your Boots" como irresistíveis para as pistas. Já "Breathe" é prima de "Magnificent", com a vantagem de a canção em si ser muito mais cativante. Com Larry Mullen Jr. implementando uma bateria fortíssima (outra característica em todo o álbum), uma boa base harmônica de guitarra e teclado, além de passagens vocais marcantes, a faixa tem vaga garantida no hall da fama das grandes canções do U2 em todos esses anos. Ambas são sérias candidatas a segundo single.

Se o grupo procura equilíbrio entre rock e eletrônica, não conseguiu o mesmo no quesito boas composições. "Fez - Being Born", uma junção de duas músicas que homenageia o local onde o disco teve sua fase embrionária, no Marrocos, destoa completamente, mesmo como o dedo dos produtores. O mesmo acontece com "Cedars Of Lebanon", que fecha o CD com Bono falando mais do que cantando - logo ele que canta melhor do que fala. "I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight" é de uma simplicidade banal, e "White As Snow" pode até dar sono. O resultado é a irregularidade de um repertório apenas razoável.

No Brasil "No Line On The Horizon" chega às lojas em quarto formatos. O CD com um encarte de 24 páginas (R$ 34,90); digipack, com capinha de papelão e um encarte de 32 páginas, pôster e senha de acesso para o vídeo "Linear", de Anton Corbijn, na internet (R$ 44,90); edição limitada de revista + CD, com imagens e entrevista exclusiva, em 64 páginas (R$ 160); e um box com o álbum em digipack, o DVD com "Linear", um livro capa dura com 64 páginas e um pôster (R$ 390). Somadas a vendas antecipadas no Brasil, "No Line On The Horizon" já é disco de platina - 60 mil cópias.

Além disso, uma parceria entre a gravadora da banda e a Motorola garantiu a venda das músicas em quatro aparelhos da empresa em toda a América Latina, para clientes das operadoras TIM, Oi, Claro e Vivo. As músicas também podem ser adquiridas nos principais sites de venda da Internet.

Por Marcos Bragatto
Fonte: Uol

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