terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Em primeiro show do ano, Roberto Carlos volta a cantar "Lígia"

Na quinta edição do projeto Emoções em Alto-mar, no qual se apresenta em cruzeiros pelos mares do Brasil, Roberto Carlos surge em alta descontração. O Rei confirma a impressão que tinha deixado, horas antes, quando apareceu leve e solto no teatro do navio para uma animada entrevista coletiva com jornalistas e uma plateia barulhenta de 400 pessoas (sorteadas entre os mais de 3 mil passageiros do cruzeiro).

Está, definitivamente, numa fase alegre. Não canta músicas para gordinhas, não dedica mensagens para Maria Rita e nem pronuncia a palavra proibida de "Que tudo mais vai para o..." --embora tenha afirmado na coletiva que estava trabalhando na questão do TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo). Dessa vez a sedução tem um acréscimo: a presença de Tom Jobim, que o artista homenageou ano passado, em parceria com Caetano Veloso, com uma série de shows-tributo ao cinquentenário da bossa nova.

Além de clássicos da canção romântica e frases de delicioso apelo popular, que só mesmo a majestade pode proferir sem cair no ridículo, duas músicas do maestro ganharam o repertório monárquico: "Lígia" e "Eu Sei que Vou Te Amar". Prova de que a bossa nova, que o Rei admite "não ser a sua praia", também pode levantar as grandes massas, até mesmo no oceano.

Se apresentadas, claro, com uma palavrinha doce, típicas do Rei: "Olha, estar aqui com vocês em alto-mar é realmente uma onda", diz, entre gritos de "lindo!" e "casa comigo".

O próprio ambiente do navio, ancorado em Angra, no Rio de Janeiro, já evoca um ar de majestade. Das escadas aos extravagantes ornamentos, passando pelas gravuras de ninfas, que misturam simbolismo e art déco, e o pano azul fosforescente do palco, tudo no navio parece brilhar. Em todos os cantos --até mesmo no figurino das passageiras, generoso nos tecidos de oncinha-- uma profusão de dourado ofusca os olhos.

A julgar pelo tom kitsch da decoração, pode não ser o reinado do bom gosto, mas quem se importa? Entoando clássicos como "Detalhes" e "Como É Grande Meu Amor Por Você", o Rei Roberto transforma seu navio na capital mundial do amor. "É um prazer estar junto com vocês, dormindo sob o mesmo... teto", diz, malicioso, o cantor, para delírio das mulheres presentes. "Aliás, 'amor' e 'mar' têm tudo a ver. São tão parecidos... é só trocar uma letra".

Em meio à apresentação, aparecem as novidades no repertório. Primeiro, a inclusão de "Lígia", de Tom Jobim, acompanhada de uma homenagem ao maestro. No fundo do palco, imagens de arquivo relembram o encontro dos dois, em 1979, em um especial para a TV Globo. Tomado pela emoção, o cantor se apressa em apontar este momento como o mais importante de sua carreira.

Logo depois, lembra os shows que fez com Caetano, em homenagem a Tom. "Trabalhar com Caetano é uma honra", diz, antes de entoar a canção de Tom, numa versão mais popular, sem as ressonâncias harmônicas da original, mas ainda assim sincera e pungente.

De marujo a comandante

A segunda novidade é menos erudita. Pela primeira vez desde o nascimento do projeto, há cinco anos, foi servido champanhe em taças de plástico e o público pôde brindar com sua majestade, ao som de "Champagne", de Pepino Di Capri.

Logo depois, devidamente trajado em seu uniforme de comandante de navio (até ano retrasado, era apenas marujo) o Rei ressurge no palco para a parte mais "quente" do show, em que lança rosas para as fãs. Num empurra-empurra enlouquecido, mulheres se acotovelam pelo prêmio máximo.

Ao final, elas levantam as mangas ou sobem as saias para mostrar uma às outras os ferimentos da batalha. Vê-se arranhões, hematomas e roupas rasgadas. Mas também o consolo de ter chegado pertinho do Rei.

"Se você não tem músculo não segura", diz, depois do espetáculo, a paulistana Rosemeire Aparecida Dusico, segurando, com orgulho, três rosas entre os dedos. "Eu estava lá na frente e quase não aguentei a pressão. Mas vale a pena. Se puder, volto lá agora mesmo. Estou em estado de graça".

Por Bolívar Torres
Fonte: Agência JB/Uol

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