sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lançamento CD Sepultura "A-Lex"

Em seu novo álbum, "A-Lex", o Sepultura segue a fórmula conceitual do último trabalho, "Dante 21", inspirado na obra "A Divina Comédia", e usa a literatura como ponto de partida. Desta vez o conceito é baseado no romance "Laranja Mecânica", do inglês Anthony Burgess.

"A-Lex" (que significa "sem lei", em russo) representa um ponto de virada na longa carreira da banda. Após a saída de Max e Iggor Cavalera, respectivamente em 1997 e 2006, é o primeiro trabalho sem a participação de nenhum dos dois irmãos.

No âmbito musical, o disco indica a escolha de um caminho mais dinâmico, cru e direto, que promete se afastar da cansada sonoridade que marcou a obra da banda desde o final da década passada, influenciada por gêneros como o nu-metal e o metalcore.

No decorrer do álbum, as composições demonstram mais energia e criatividade do que na maior parte de seus trabalhos recentes, o que talvez tenha a ver com a injeção de sangue novo recebida com a entrada do baterista Jean Dollabela no lugar de Iggor.

Compartilhando com o vocalista Derrick Green o fardo de substituir um irmão Cavalera, Jean faz um bom trabalho, criando soluções que enriquecem os arranjos como seu antecessor costumava fazer em sua fase de maior brilho.

Dividido em quatro "capítulos", cada um com uma introdução, o disco começa bem. A partir da primeira canção, "Moloko Mesto", a banda se reconcilia com suas raízes no thrash metal e hardcore oitentistas, com direito a bateria veloz e solos "fritando" como nos velhos tempos. Não soa exatamente como o Sepultura de 1990, o que provavelmente não é o objetivo, mas traz aos dias atuais uma urgência parecida.

Outra faixa que sintetiza as virtudes de "A-Lex" é a décima, "Forceful Behavior", em que as origens de Derrick na cena hardcore de Cleveland (EUA), transparecem nas partes lentas, lembrando seus conterrâneos do Integrity, uma das mais importantes bandas do gênero nos anos 90. Já nos momentos rápidos, o guitarrista Andreas Kisser mostra a que veio, com seus solos e riffs velozes e furiosos que o Sepultura nunca deveria ter negligenciado.

De vez em quando, porém, voltam os riffs graves e os grooves cansados. Em "Filthy Rot", por exemplo, ameaçam um replay dos tambores do álbum "Roots" (1996) e seguem com um riff grave repetitivo que exemplifica os aspectos menos empolgantes e representativos da carreira da banda.

É inegável que em "Roots" o Sepultura tenha revolucionado o metal com este tipo de sonoridade. Mas como de costume, o que um dia foi um sopro de ar fresco logo tornou-se lugar comum e sintoma de falta de inspiração.

Nesta nova fase, quanto mais longe o Sepultura permanecer da combinação de batidas "tribais" e riffs graves simplistas, mais perto chegará de seus momentos mais brilhantes, ainda que sem a presença de um Cavalera.

Num momento histórico em que se torna cada vez mais difícil produzir música totalmente original, é melhor atualizar com criatividade o thrash dos anos 80 do que repetir burocraticamente o groove metal tribal do ano 2000.

Por Pedro Carvalho
Fonte: Uol

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