quinta-feira, 26 de março de 2009

Ignorando hits dos anos 80, A-ha se garante com baladas em SP



Banda norueguesa não tocou músicas como 'Touchy!'.
Última música da noite, 'Take on me' levantou plateia.

Eles ainda fazem algumas garotas gritarem, mas não são mais os meninos que despontaram da Escandinávia durante meados da década de 1980. Morten Harket, o vocalista galã do A-ha, está à beira dos 50 anos – mas ainda sustenta seu topete e o queixo quadrado que o levaram à fama (juntamente, é claro, com a voz capaz de alcançar notas quase inaudíveis de tão altas).

A apresentação do trio norueguês (além de Harket, Paul Waaktaar-Savoy nas guitarras e Magne Furuholmen nos teclados, acrescidos de um baterista e um segundo tecladista) em São Paulo contou majoritariamente com um público que foi adolescente na época de “Take on me”, single de maior sucesso do grupo, de 1985.

Diante de uma plateia de 6 mil pessoas sedentas por relembrar os bons momentos do grupo, foi inexplicável a ausência de hits dançantes como “You are the one” e “Touchy!”. Em troca, não deixaram nenhuma balada para trás, de “Cry wolf” a “Stay on these roads” – “Hunting high and low”, acústica, foi um dos momentos altos da apresentação, com direito a coro da plateia e telão exibindo imagens de isqueiros acesos na escuridão.

Além dos clássicos, o A-ha se concentrou em músicas recentes: o show teve direito a três inéditas (“Riding the crest”, “Shadow side” e “What there is”), que estarão presentes no disco que a banda deve lançar ainda em 2009, além de “Minor Earth, major sky” e “Analogue”, faixas-título dos álbuns de 2000 e 2005, respectivamente.

Crooner elegante

Com postura de crooner elegante, Harket passou o show inteiro em pé segurando seu microfone, movimentando-se pouco e quase não falando com o público, além de incessantemente mexer nos fones de retorno que ficavam em seus ouvidos. A maior parte da comunicação foi feita por Furuholmen, que a certa altura perguntou, ao agradecer a presença da plateia: “Vocês ainda usam a palavra ‘obrigado’ por aqui?”.

O tecladista voltou a falar com o público no começo do bis, anunciando “The sun always shines on TV”, do disco de estreia “Hunting high and low” como um “samba norueguês”. Após “Analogue”, veio a verdadeira apoteose: até quem estava dormindo nas cadeiras levantou-se para cantar o eterno hit “Take on me” – mesmo com um deslize de Harket, que chegou a passar a bola para a plateia na parte mais difícil da canção. Todos pareceram esquecer os hits ausentes e o show lento e burocrático, e, aos 45 do segundo tempo, o jogo foi ganho.

Set List
“Living a boy’s adventure tale”
“The blood that moves your body”
“Cry wolf”
“Scoundrel days”
“Manhattan skyline”
“I’ve been losing you”
“Minor Earth, major sky”
“Riding the crest”

“Shadow side”

“I dream myself alive”
“Hunting high and low”
“Summer moved on”
“Train of thought”

“The swing of things”
“Stay on these roads”
“What there is”

“Forever not yours”
“Crying in the rain”
“Living daylights”

Bis
“The sun always shine on TV”
“Analogue”
“Take on me”

Por Amauri Stamboroski Jr
Foto: Flávio Moraes/G1
Fonte: G1

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