sexta-feira, 6 de março de 2009

Moraes Moreira lança 'A História dos Novos Baianos'

O Carnaval ainda é a menina dos olhos de Moraes Moreira. Lançando o CD/DVD ao vivo A História dos Novos Baianos e outras histórias (Biscoito Fino), cujo repertório mostra nesta sexta-feira na Feira de São Cristóvão (mesmo lugar onde gravou os discos), o cantor diz estar preparando seu segundo livro, Sonhos elétricos, contando detalhadamente a história dos trios elétricos no Brasil. Vindo de uma temporada de carnaval em Pernambuco e preparado para fazer uma apresentação repleta de sambas e frevos num dos lugares mais populares do Rio, o baiano torce o nariz para os rumos comerciais que a festa tomou em seu estado.

"Virou carnaval de corda e de abadá, não há nenhuma preocupação com o povo", lamenta. "Não se vê nem mais os Filhos de Gandhy, o Ilê Ayê e o Olodum. Enquanto isso, tenho tomado lições de carnaval em Pernambuco. Sempre gravei muitos frevos e lá me consideram o baiano mais pernambucano", completa.

Ligado ao livro homônimo, que reúne as letras do artista e mais um cordel contando a história do grupo, A História... traz uma mescla de clássicos dos NB com sucessos de sua carreira solo, além de duas inéditas, Oi e Spok frevo spok. Na guitarra e na co-produção, o filho Davi Moraes.

"Foi fundamental tê-lo comigo. Apesar de recordar os Novos Baianos e meus discos solo, não queria um tom saudosista", afirma Moraes, que, apesar de ter retornado com o antigo grupo num duplo ao vivo, Infinito Circular (1997), não se animou com a volta. "Acabei não achando que foi grande coisa. A banda existe sem precisar voltar", conta.

Um dos raros artistas baianos a estar verdadeiramente ligado à cultura nordestina, Moraes diz que ela faz parte de seu dia-a-dia. O cantor, que homenageou o maestro pernambucano Spok na nova Spok frevo spok ("ele foi além do frevo, chegou no jazz"), gravou os extras do DVD passeando na Feira.

"Eu me considero um deles. Leio bastante, estudo. Quando escrevo cordéis, respeito a métrica que eles usam", afirma o cantor, que para seu próximo disco de inéditas se inspira nas cantorias dos violeiros nordestinos. "Ganhei de presente o livro Jaguaribe: o Vale das Violas (do pesquisador Francisco Wilson Raulino) e estou entrando nessa em várias músicas. Quando chegar a hora de lançar vou ter muitas. Componho e nem gravo, guardo na memória. Se lembrar, é porque era para ficar".

Por Ricardo Schott
JB Online

Nenhum comentário: