domingo, 12 de abril de 2009

Cateano Veloso explica título de seu novo disco

Gravado em estúdio com o repertório de 13 músicas (11 inéditas), filtrado pela série de shows Obra em Progresso, ambos com acompanhamento da banda Cê (Pedro Sá, Marcelo Callado, Ricardo Dias Gomes), o novo CD de Caetano Veloso, Zii et Zie (Universal) começa a circular dia 14. E terá shows de lançamento, dias 8 e 9 de maio, no Canecão.

Por que o disco que seria Transamba virou Zii et Zie? O grande número de discos de samba recém-editados influiu na decisão de mudança?
Nunca pensei em Transamba como título. Sempre foi para ser usada como explicação do esboço de gênero. O fato de haver muitos discos de samba só me animaria a usar a palavra. E, de fato, ela está na capa do disco, como piada de definição de gênero. Queria um título esquisito, sem relação direta com as canções. E queria, de preferência, em italiano. Calhou de ver as palavras próximas uma da outra num livro turco que li na tradução italiana.

Como funciona sua conexão com a banda jovem que o acompanha? É possível romper o 'gap' geracional/estético?
Na verdade, não há o que romper: a banda nasceu das convergências de gosto e opinião entre mim e Pedro Sá. E a escolha de Ricardo e Marcelo, nascida dessa mesma afinidade, também se provou acertada: nunca, nem no Cê nem no Zii et Zie, tivemos dificuldade de chegar à forma final de um arranjo. Em geral, eu digo tudinho que eu quero e eles entendem logo, gostam e realizam com perfeição. É inacreditavelmente sintônico.

Como músico você nunca se interessou pela eletrônica. Como surgiu a intimidade com a interatividade?
Eu só sabia que queria ficar no Rio e apresentar semanalmente o trabalho que fôssemos desenvolvendo para o CD. E assim fiz. O Hermano Vianna, que é muito de internet, foi quem perguntou por que não fazíamos então o acompanhamento do processo num blog. Topei e gostei. Mas eu gosto muito de e-mail e de olhar coisas no YouTube, além de consultar o Google. Gosto mais de e-mail do que de telefone. E acho que já lhe disse que sonho com fazer algo com música eletrônica: parece que ali se pode "pintar" com os sons. Mas ainda adoro tocar com uma banda presente e viva.

Por Tárik de Souza
Fonte: JB Online/Terra

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