segunda-feira, 18 de maio de 2009

Flávio Venturini. Entre canções, amigos e Minas Gerais

De volta a Belo Horizonte, após quase três décadas vivendo no Rio de Janeiro, Flávio Venturini registra em um símbolo mineiro seu novo CD/ DVD "Não se apague esta noite" (Som Livre). Neste trabalho, ele reforça a velha máxima de que o palco é a extensão da casa do artista. Gravado entre o Museu das Artes da Pampulha e a própria sala de estar de Venturini, o álbum percorre uma trajetória devotada à busca da melodia perfeita. No trabalho, o artista se encontra com novos e antigos amigos, entre eles: Mart´nália, Marina Machado, Luiz Possi, Nando Lauria e Milton Nascimento.

Seja qual for o ambiente, o compositor se encontra ativo, em permanente reconstrução, alinhando novos temas aos sucessos que há gerações transbordam de sua nascente musical. Em casa ou no palco, Flávio recebe novos amigos com a mesma hospitalidade devotada aos antigos companheiros de estrada. A começar por sua banda, formada por jovens músicos mineiros, onde perfilam a guitarra e as cristalinas cordas vocais de Kadu Vianna; o baixo de Aloísio Horta; os teclados de Ricardo Fiúza e a bateria de Arthur Resende.

Para que nossas noites nunca se apaguem, a balada-rock "Mantra da Criação", parceria com Ronaldo Bastos, legitima a crença em um mundo melhor, sob a bandeira fincada na esquina mais musical do planeta. "A luz que deu a luz ao universo conspira a seu favor", decretam os versos de Ronaldo que fazem de "Recomeçar" uma destas evidências. Outras e novas parcerias luminosas: "Minha Estrela" (com Ronaldo), "O Melhor do Amor" (com Ronaldo e Torcuato Mariano), "Romance" (com Juca Filho) – esta com a presença do irmão camarada Claudio Venturini, na guitarra -, "Verão nos Andes" (com Aggeu Marques); além de "Morro Branco" e "Alegria", com participação do violonista Nando Lauria. Flavio joga limpo com quem vem depois. Compartilha a intimidade dos hits com três novas vozes femininas: Mart´nália ambienta o "Pierrot" – parceria com Murilo Antunes – na ginga carioca. "Soube que Mart´nália gostava desta canção e a convidei para cantá-la comigo. Minha relação com o samba e a bossa começou depois que fui morar no Rio e achei legal chamar uma personalidade tão carioca para gravar na minha casa em Minas".

Luiza Possi flutua "estilosa" em "Beija-Flor", enquanto Marina Machado expressa prazer e privilégio em "Noites Com Sol", ambas feitas com Ronaldo Bastos.
Dos estertores setentistas estão "Não se apague esta noite", de Lô Borges, e a versão em voz e piano de "Criaturas da Noite", parceria com Luiz Carlos Sá nos tempos de contracultura. "Alma de Balada", feita com Murilo Antunes, homenageia o baterista Luiz Moreno. Das estações pop do anos 80, Flavio embarca no "Trem do Amor", com letra de Ronaldo. Dali para as estações atemporais, "Céu de Santo Amaro" realiza a alquimia de tornar a sonata de Bach – escrita no século XVIII – numa das mais inspiradas canções brasileiras contemporâneas. O futuro – e também o passado - está na criação. "Esta fiz na Bahia, na festa de Reis de Santo Amaro da Purificação. Acompanhei a procissão e escrevi a letra ao ouvir uma interpretação do violonista espanhol Steve Erquiaga para esta ária de Bach, numa bela noite de lua de janeiro".
No estúdio Davout, em Paris, juntou-se a Milton Nascimento no dueto de "Música". Da capital francesa a São Paulo, é a vez de encontrar Toninho Horta. Em trio, recriam a eterna "Nascente" (de Flavio e Murilo Antunes) e proseiam até o sol esconder a clara estrela.

Fonte: Tribuna da Bahia

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