quinta-feira, 14 de maio de 2009

Lenny Kravitz fala sobre os 20 anos de seu disco de estreia

Lenny Kravitz não é o tipo de pessoa que passa muito tempo pensando no passado.

Por isso, o roqueiro achou "surreal" trabalhar em seu projeto mais recente, que, na verdade, foi seu primeiro projeto --o relançamento do disco de estreia "Let love Rule".

Faz 20 anos que o álbum apareceu no cenário musical. Na época, Kravitz era um cantor de 24 anos com dreadlocks descrito como uma versão nova de Prince ou Jimi Hendrix.

Com o passar do tempo, Kravitz mais do que provou que tem identidade própria. O cantor aguentou por mais de duas décadas porque continua a ser uma voz única no pop e rock. Com a edição de 20º aniversário de "Let Love Rule", que foi remasterizado e traz material extra, os fãs poderão lembrar como aquela voz começou.

Associated Press: Ao ouvir as músicas de "Let Love Rule" hoje, alguma delas tem um significado diferente para você?
Lenny Kravitz: Sinto que as coisas evoluíram. Uma canção como "Let Love Rule", que é um verdadeiro hino para mim, se tornou uma canção do povo. Mais do que a intenção original, acho que hoje ela significa mais e tem mais relevância devido às circunstâncias que vivemos no planeta atualmente.

Associated Press: Como assim?
Kravitz: Bem, se você me perguntasse há 20 anos se eu achava que o mundo seria um lugar melhor em 20 anos, eu teria dito que sim. Acharia que teríamos algum tipo de evolução, mesmo que fosse mínimo. Mas hoje estamos em um lugar muito pior como comunidade global e como planeta.

Associated Press: Você está menos esperançoso?
Kravitz: Não estou menos esperançoso. Continuo otimista, mas há uma montanha muito maior para ser escalada.

Associated Press: Olhando para trás, como você acha que cresceu como artista e pessoa nesses 20 anos?
Kravitz: Não sei se a música me mostra como mudei, apenas mudei com o tempo e cresci. Quando ouço o disco, não é como ouvir uma criança ingênua. Mas acho que havia uma certa ingenuidade ali, e havia uma franqueza verdadeira que ainda é parte de mim, mas tive de adaptá-la para o que aconteceu comigo depois que fiquei conhecido.

Associated Press: Você se mudou para Paris, como a cidade conquistou você?
Kravitz: Nova York chegou a um ponto final para mim. Ainda amo Nova York. Sou um nova-iorquino e sempre serei. Mas a cidade mudou muito, e o que eu sinto falta de Nova York é a individualidade que costumava existir. Agora é como um lugar qualquer.

Associated Press: Você está no filme "Precious". O que atuar faz por você que a música não faz?
Kravitz: É totalmente diferente. (Cinema) É uma mídia na qual você coloca toda sua fé no diretor, é totalmente uma mídia do diretor. Estou acostumado a fazer minha própria música, minhas letras, meu isso e aquilo, e isso faz você ter uma direção. Gosto disso, gosto muito.

Por Nekesa Mumbi Moody
Fonte: AP/Uol

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