segunda-feira, 4 de maio de 2009

Virada Cultural chega ao fim com recorde de público

Segundo informações da Prefeitura de São Paulo, evento reuniu quatro milhões de pessoas

Mesmo com orçamento menor em relação ao ano passado, a Virada Cultural 2009 chegou ao fim com recorde de público. Segundo a Prefeitura de São Paulo, este ano o público total do evento foi de quatro milhões de pessoas. Em 2008, este número foi de 3,5 milhões. "O balanço é muito positivo, estamos muito felizes com o resultado de mais essa edição da Virada”, afirmou o prefeito Gilberto Kassab.

O aumento do número de pessoas, no entanto, refletiu-se em problemas de organização. Os banheiros químicos instalados por todo o centro, por exemplo, não deram conta do público e entraram em colapso já durante a madrugada. Na região da rua Barão de Itapetininga, que liga o Teatro Municipal à Praça da República, o mau cheiro era insuportável já poucas horas depois do festival ter começado.

Outro problema foi o transporte público. A estação República do metrô, a mais próxima dos principais palcos da Virada, esteve fechada durante todo o final de semana, por causa das obras da linha amarela. Quem estava na linha laranja do metrô tinha que fazer o percurso entre as estações Santa Cecília e Anhangabaú de ônibus. O trânsito na região, já congestionado por causa do grande número de ruas interditadas, ficou ainda mais complicado.

No horário de maior movimento da Virada, entre as 22h de sábado e as 02h do domingo, foi bastante difícil circular nas proximidades da Praça da República. A região concentrou três dos principais palcos do festival. Apesar das reclamações do público de policiamento insuficiente, não foram registradas ocorrências graves durante o evento. Segundo a Polícia Militar, os delitos mais comuns foram os furtos, especialmente os de telefones celulares.

Melhores shows

Problemas de organização à parte, a Virada mais uma vez teve diversos bons shows. Pelo menos um deles pode ser considerado histórico: o dos Novos Baianos, que se reuniram para uma apresentação na Avenida São João, no domingo. Juntos, Baby Consuelo, Pepeu Gomes e Paulinho Boca de Cantor (Moraes Moreira não participou) lembraram clássicos da banda como "Preta Pretinha" e "Besta É Tu", e ainda homengearam São Paulo com uma bela versão de "Sampa", de Caetano Veloso.

Dois palcos temáticos também foram bastante bem-sucedidos. O primeiro deles foi o Toca Raul!, montado ao lado da Estação da Luz. Nele, diversos artistas interpretaram todos os álbuns de Raul Seixas, para lembrar o aniversário de vinte anos de sua morte. O segundo foi o palco romântico - logo apelidado de palco brega - montado no Largo do Arouche, e que recebeu ótimas performances de Wando e Odair José, entre outros.

O Teatro Municipal, mais uma vez, teve artistas interpretando álbuns clássicos seus na íntegra. A programação teve de tudo: do experimental Arrigo Barnabé e seu "Clara Crocodilo" à MPB de Fafá de Belém e seu "Água". Mas o grande momento da programação do teatro foi Tom Zé. Ele apresentou seu primeiro álbum, "Grande Liquidação", em versão revisitada e com direito a uma música inédita, "Tropicália Jacta Est".

Mas nem o Municipal escapou dos problemas de organização. Pouco antes do show de Tom Zé começar, por exemplo, houve um tumulto entre as pessoas que queriam entrar na plateia. Uma espectadora, revoltada, chegou a cobrar explicações do próprio cantor durante o show. Além disso, mesmo com as filas para entrar no local, havia vários lugares vazios dentro do teatro. "Reservados para convidados", segundo funcionários. Convidados que raramente apareceram.

O show de encerramento do evento ficou a cargo de Maria Rita. Diante de um público de dez mil pessoas, ela cantou sucessos como de seus três discos. Sempre com um toque de sensualidade, a cantora não economizou caras e bocas. Assim, garantiu uma apresentação leve, divertida e bem animada.

Fonte: Igpop

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