quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Festival de Inverno Bahia acima de qualquer coisa

Uma odisséia com um final feliz! É assim que posso descrever o Festival de Inverno Bahia deste ano. Para o Biquini, a lembrança do primeiro evento ainda vivia em nossa memória. Esta relação com Conquista se solidificou com os anos. Não por menos acabamos fazendo a música tema do Festival neste ano. A expectativa nossa era total. Havia ainda a chance de, quem sabe, fazer algo com o Skank, que tocaria na mesma noite.

Vindo de São João de Meriti, no Rio, nosso vôo não seguia lógica ou logística.

Rumamos pro sul, para São Paulo, para então subir pra Bahia. Foi em Sampa, lendo as notícias que soube do cancelamento do show dos Titãs, por falta de teto no aeroporto de Ilhéus. O grupo paulista foi parar em Salvador, a quinhentos quilômetros e ficaram retidos na estrada por uma queda de barreira. E foi assim, lendo esta notícia, que fui informado que era para descer do avião pois o aeroporto de Ilhéus estava com problemas meteorológicos. Caramba! Vai acontecer o mesmo conosco? Mallu Magalhães e sua banda também estavam conosco no mesmo vôo. Será que conseguiríamos chegar a tempo?

Com duas horas de atraso, saímos de Congonhas. Virados do último show, apagamos. Ao chegarmos em Ilhéus, embarcamos para mais quatro horas na estrada. Ao chegar em Conquista, o frio era assustador. Uma garoa fina te fazia pensar que estava debaixo d’água, uma verdadeira sauna fria. Não deu muito para descansarmos. Por conta dos atrasos, nos desencontramos do Skank. Quando estávamos no hotel, eles estavam no palco. O máximo que deu foi dar um abraço em Henrique durante uma pausa dele no show, enquanto Samuel atacava mais um hit. Após o show da banda mineira, a chuva aumentou. Domingo, já passava de uma e meia da manhã. Subimos às duas da matina e foi emocionante ver que todo mundo havia ficado para cantar conosco. Ainda assim, mais surpresas nos aguardavam. Não estava bem da voz e pra piorar o meu retorno de palco estava péssimo. Cantar assim passa a ser um esforço maior ainda. Além disso, tivemos problemas no contrabaixo, a ponto de interromper o show para poder aguardar a solução do problema. Valeu a pena. O público cantou conosco as músicas de cabo a rabo, a chuva deu uma trégua e a gente fez uma festa até as quatro da matina. Em certos aspectos, esta festa nos lembrou muito nossa primeira, quando tocamos na madrugada de domingo pra segunda e, ainda que sem chuva, sob frio intenso. O festival de inverno definitivamente nos ganhou o coração e superamos todos os problemas técnicos, de saúde, meteorológicos, com a energia da galera na nossa frente.

Em Timidez, decidi cantar no meio da galera. Era só pra ficar em cima da grade, mas vi que não daria e dei um mosh no pessoal. Confesso que por instantes achei que não sairia mais dali. Estava imobilizado e sequer conseguia me virar. Com muito custo, o fiz, mas ainda assim, alguém puxava meu braço, quase arrancando-o. Depois de um tempo, e sem parar de cantar, voltei pro outro lado da grade. Eis que vejo meu roadie querendo entrar, mas sendo barrado pelo segurança. “Eu trabalho com eles”, berrava. Mas a camisa dele era igual a de todos os outros fãs que estavam na grade! Graças a Deus, eu o encontrei e pedi pro segurança liberar. A esta altura, dane-se a hora se é cedo se é tarde, dane-se o frio a banda o cantor, o som, a chuva, todo mundo era parte de uma festa maior. O Festival de Inverno Bahia estava em seus minutos finais e tratamos de gastar todas as nossas energias. Foi assim que, exauridos, encerramos o show com Chove Chuva. É bem verdade que gravamos o tema do Festival de Inverno Bahia, mas agora, devo admitir, a música de Benjor bem que sintetizou o que foram estes dias em Conquista: Chove sem parar! E a galera cantou, dançou e fez uma linda festa sem parar também! Até 2010, se Deus quiser!

Fonte: Blog do Biquini Cavadão

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