quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Information Society transforma Via Funchal em "balada"

Assim como fizeram A-Ha, Duran Duran e B-52s, o Information Society, grupo eletrônico que emplacou vários hits nos anos 80, retornou ao Brasil, um de seus portos seguros de fãs, para uma nova turnê. Depois de passar pelo Rio de Janeiro, a banda se apresentou na Via Funchal, em São Paulo, na noite dessa quarta-feira (12).

Com a formação original, James Cassidy (baixo), Paul Robb (tecladista) e Kurt Harland de volta ao vocal, o trio americano subiu ao palco às 22h15, com cerca de 45 minutos de atraso, e montou um repertório que mesclava canções de seus últimos discos, como Synthesizer (2007), e claro, os clássicos hits. Com exceção dos sucessos já consagrados como Think, Walking Away, Running e Whats On Your Mind, o show do grupo ganhou muito mais cara de "balada" do que propriamente de uma banda se apresentando ao vivo.

Mesmo com os exaustivos apelos do vocalista Kurt, que entre as músicas repetia "E a música acabou. Não?", tentando arrancar gritos da plateia, boa parte dos presentes permaneceu nas mesas colocadas pela produção nas laterais da pista. Como bom visitante do País, Kurt também não economizou no português carregado de sotaque e falou na língua sempre que pode para apresentar as músicas. "Pensem lá atrás, bem lá atrás. Vamos voltar para 1987 com o Information Society bem novinho", afirmou.

E imaginar o grupo em seu auge, na transição dos anos 80 para os anos 90, era o melhor que os fãs podiam fazer. Bem longe da boa forma física, Kurt é um dos que mais peca na presença de palco. Sempre que ia aos pads eletrônicos posicionados ao lado de seu pedestal de microfone, o vocalista procurava ajeitar um ventilador colocado ali estrategicamente para se refrescar.

Logo no início da apresentação, Paul e James subiram ao palco vestindo suas máscaras anti gás, acessório usado em suas fotos de divulgação, e Kurt vestindo um longo sobretudo. No entanto, os artefatos são logo descartados após a terceira música, período em que os fotógrafos podem se aproximar do palco para clicar o show.

Lei antifumo

Com a lei antifumo em vigor desde o último dia 7, os fãs do Information Society não foram poupados. Embora a Via Funchal já não permitisse que fumantes acendessem cigarros na pista, de acordo coma nova regra, essas pessoas foram deslocadas para uma área externa da casa, apelidada por muitos deles como "chiqueirinho".

Na saída, seguranças apontavam para o local, cercado com grades, longe inclusive da parte coberta que dá acesso ao lado interno da casa de shows. A tradutora Graziela Albuquerque, 24 anos, condenou a medida do Estado de São Paulo.

"É um absurdo. A gente paga muito caro para ter um conforto extra e tem que fumar aqui fora. E se estiver chovendo? É um vício. E se não puder beber mais nas baladas?", contestou. O show, por outro lado, agradou. "Eles estão meio esquisitos e barrigudos, mas tá bom por enquanto", afirmou enquanto o show ainda acontecia.

Já do lado de dentro, a medida é celebrada. "Voltar da balada ou do show com a roupa estragada cheirando cigarro não dá. Só com lei e multa mesmo para o povo respeitar", disse a publicitária Regina Andrade, 38 anos.

Por Osmar Portilho
Fonte:Terra

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