segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sting fala de inverno em disco gravado na colina da Toscana italiana

Isabel Laguna, Madri - Sting se define como "uma pessoa de inverno" porque é, diz, "a estação da imaginação e dos fantasmas", um momento "cheio de magia" e que parece estar perdendo agora sua intensidade. Isso o levou a explorar este período em um novo disco, "If On A Winter Night...", que será lançado na semana que vem.

"Os invernos do século 21 parecem acabar antes mesmo de começar, as nevascas são raras e, quando ocorrem, duram pouco", se lamenta Sting nas notas de apresentação deste novo álbum, um trabalho que reúne desde acalantos e canções tradicionais, a poemas do século 16 e que tem inspirações no mundo clássico de Johann Sebastian Bach ou Robert Schubert ou no folk de Newcastle.

Com este novo disco, lançado pelo selo Deutsche Grammophon, o ex-líder do The Police segue se aproximando ao mundo clássico, um caminho que já tinha tomado em 2006 com seu último disco, "Songs From The Labyrinth", no qual interpretava música renascentista do compositor John Dowland (1563-1626) e que também lhe levou a encarnar recentemente ao compositor romântico Schumann em um DVD.

Agora, Sting, de 58 anos, quis levar "a magia e o mistério" do inverno, sua estação favorita, a esta nova coleção de canções que gravou em uma casa situada em uma colina da Toscana italiana, que foi seu "lar" e "retiro" durante a última década e na qual viveu implacáveis invernos.

Ali reuniu em fevereiro passado, para "celebrar e explorar a música do inverno", a sete "músicos variados": Kathryn Tickell e Julian Sutton, dois músicos tradicionais de Newcastle; a harpista escocesa Mary Macmaster; o violoncelista Vincent Ségal, o trompetista libanês Ibrahim Maalouf, a violinista Daniel Hope e o guitarrista Dominic Miller, a quem define como sua "mão direita e esquerda durante quase duas décadas".

"Há algo do inverno que é fundamental, misterioso, completamente insubstituível, algo ao mesmo tempo deprimente e profundamente formoso, algo essencial para este mito de nós mesmos, para a história da humanidade", explica Sting. É "como se de forma alguma necessitássemos a escuridão dos meses de inverno para repor nosso espírito interior, tanto como necessitamos a luz, a energia e calor do verão", acrescenta.

Algo que, na sua opinião, parece estar em perigo: "o aquecimento global, se é o que esta reduzindo nossa anual estação de inverno, está provavelmente tomando seu pedágio na psique humana, como parece estar alterando o ritmo das estações no planeta", aponta o cantor e compositor.

Por isso, quis apanhar neste disco o espírito de uma estação que em sua infância lhe permitia desenhar com a unha sobre os vidros cobertos de gelo, lhe obrigava a vestir-se "debaixo dos lençóis" e a passar longas horas de escuridão junto ao calor e os brilhos da estufa de carvão: "ali era livre para imaginar espíritos inquietantes".

Canções tradicionais como "Gabriel's Message" ou "Cherry Tree Carol", junto a melodias de Henry Purcell transformadas em temas como "Cold Song" ou "Now Winter Comes Slowly"; de Bach em "You Only Cross My Mind" ou de Franz Schubert em "Hurdy Gurdy Man", se unem a temas criados por Sting como "Lullaby For An Anxious Child" e a cantos populares de Halloween como "Soul Cake".

Além de "The Burning Babe", um poema do século 16 do jesuíta inglês Robert Southwel, Sting musicou o poema de Robert Louis Stevenson "Christmas At Sea", para abordar um evento "central e definitivo" do inverno, o Natal, porque, apesar de seu "pessoal agnosticismo" o simbolismo religioso "exerce uma poderosa influência sobre mim".

"Se tivesse uma espiritualidade seria a música, toco e escuto como se realmente tocasse minha alma, minha eterna existência", confessa Sting, enquanto aconselha a que escutem seu novo disco "civilizadamente" com os fantasmas do inverno "antes que a neva derreta".

Fonte: Agência EFE/Uol

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