sábado, 29 de maio de 2010

Vendas de CDs despencam e varejo de discos se diversifica

Não é segredo que as vendas de CDs despencaram na década passada e hoje equivalem a 50% de seu pico. Os varejistas se viram forçados a realizar ajustes, dedicando parte de seu espaço a outros produtos. Mas isso nem sempre quis dizer que eles tenham deixado a música.

Em 2008, a Best Buy, cadeia norte-americana de varejo de eletrônicos, começou a experimentar com a venda de instrumentos musicais. Em março deste ano, ela abriu o 99º e o 100º departamento de instrumentos musicais em suas lojas, em Manhattan e Queens, respectivamente.

"Vemos muitas maneiras de consumir música. Por que não criar?", diz Justin Barber, porta-voz da empresa. "Parecia uma extensão natural".

Na loja de Manhattan, os compradores podem escolher entre 45 violões, que ficam guardados em uma sala climatizada; os preços variam de US$ 99,99 por um Squier a US$ 3.999 por um Taylor. Na parede vermelha que os fregueses contemplar ao entrar na loja, há cerca de 80 guitarras e baixos, com preços semelhantes. Outra parede mostra equipamentos para DJs.

Vender outros produtos que não música gravada não é novidade para o varejo. As lojas de discos sempre venderam camisetas e adesivos de bandas, por exemplo. Mas o declínio nas vendas de CDs ¿e mais recentemente de DVDs- forçaram as grandes lojas a encontrar outras maneiras de ocupar seu espaço de varejo e aproveitar o interesse dos consumidores por música.

O ingresso da Best Buy no segmento de instrumentos musicais é apenas uma das tentativas. Outras grandes cadeias de varejo de música, como a Wal-Mart Stores, simplesmente transferiram parte do espaço antes dedicado a CDs para outros produtos, cujas vendas continuam fortes. No varejo musical especializado, porém, a diversificação se tornou questão de sobrevivência.

Jim Donio, presidente da National Association of Recording Merchandisers, uma organização setorial, disse que o varejo especializado em música se diversificou de muitas maneiras. Houve empresas que se reorganizaram integralmente e passaram a atuar em áreas completamente novas.

"Os planos estratégicos mais amplos estudam como a empresa pode mudar seu quadro geral de ofertas e ainda assim se relacionar com a música", disse Donio.

Isso se aplica à Newbury Comics, cadeia de 28 lojas em Boston. Mike Dreese, fundador e presidente-executivo do grupo, diz que as vendas de música em suas lojas caíram em 70% ante os números de seis ou sete anos atrás; em uma idade, caíram em 82%.

Mas ao contrário de grupos como a Tower Records, a companhia dele sobreviveu, diz, por ter passado a operar em outras categorias.

A empresa, fundada em 1978 para vender revistas em quadrinhos, logo passou a se concentrar nos discos. Agora, porém, retornou parcialmente às origens, vendendo publicações e também bolsas e itens de moda casuais, por exemplo os Silly Bands, braceletes elásticos de diversos formatos.

"Estamos em outro negócio agora", disse Dreese.

Continua a ser possível ganhar dinheiro com música gravada, ele afirma, e não só com CDs novos. A maior loja de sua rede, um espaço de mil metros quadrados que no passado foi uma concessionária da Kia, tem à venda três mil títulos de discos em vinil.

As grandes lojas como Wal-Mart, Best Buy e Target não têm seleção comparável em vinil ¿como, tampouco, a iTunes Store, da Apple, maior companhia de varejo musical dos Estados Unidos, que vende apenas downloads digitais. "Essa seleção torna uma visita interessante, para alguns consumidores", diz Dreese.

Mas as grandes lojas não estão abandonando de todo a venda de CDs, e o mesmo vale para as gravadoras.

"Acreditamos que o setor ainda possa preservar ou recuperar parte de uma fonte importante de receita, o CD físico", afirmou Kevin Ball, vice-presidente de marketing da Hastings Entertainment, uma companhia que controla 154 lojas, em mensagem de e-mail.

"A cada semana que deixamos de colocar um CD nas mãos dos milhões de fãs de música existentes no país, estamos perdendo ainda outra oportunidade de manter aquilo que já temos", ele escreveu. "Agora, as pessoas perderam o hábito de comprar CDs novos. No entanto, continuam a existir consumidores que compram, e até chegam a experimentar novidades em CDs, se perceberem que um bom valor está sendo oferecido".

Por Joseph Plambeck
Fonte: The New York Times/Terra

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