quarta-feira, 9 de junho de 2010

Lady Gaga comanda exército gay em clipe de "Alejandro"


O clipe da música "Alejandro", lançado nesta terça-feira, mostra novamente que a cantora sabe que a imagem é o que ela tem de melhor a oferecer. Muito mais que uma cantora, Gaga é uma "performer". São suas atitudes, roupas e visual sempre extravagantes que atraem os holofotes, e não a música.

"Alejandro" é o terceiro single do segundo álbum de Lady Gaga, "The Fame Monster" (2009).

Para o sucessor do comentado "Telephone", no qual ela dividia a cena com Beyonce, Gaga recrutou o fotógrafo americano Steven Klein, que já colaborou com Madonna em diversos momentos, o que criou expectativa de que o vídeo teria algo que fizesse lembrar a rainha do pop.

A comparação entre as duas começou desde que Gaga começou a fazer sucesso.

Mas a única referência que o vídeo faz a Madonna é um sutiã com armas no bico dos seios, que lembra o famoso sutiã em formato de cone de Gaultier. Gaga adotou uma atmosfera mais sombria, que não é vista nos vídeos de Madonna, com referências explícitas à morte, como um cortejo fúnebre.

Segundo Gaga, o vídeo foi feito em homenagem aos gays e, principalmente, às mulheres que se apaixonam por eles e não podem tê-los --no caso, os tais Alejandro, Fernando e Roberto da letra da música.

Eles, aliás, são representados pelos dançarinos como soldados afeminados que sofrem repressão de seus superiores, incluindo a cantora, que em algumas cenas aparece vigiando o exército com binóculos, tal e qual era feito durante a guerra por líderes como Hitler.

O papel de Gaga é o de uma mulher dominadora que simula sexo com os soldados, eles de sapatos de salto alto. Fugindo do figurino gagaísta, a cantora aparece vestida de freira, como uma redentora dos gays reprimidos. Militância ou uma jogada de marketing para agradar seu maior público?

Fato é que Gaga alterou o curso de uma indústria musical, amargando há mais de dez anos com a queda nas vendas e se firmou como o fenômeno pop que melhor representa a nova década.

O amontoado de referências vai da música e do cinema a temas polêmicos, políticos e religiosos em um "copy & paste" que parece não fazer o menor sentido. E, na maioria das vezes, não faz.

Afinal, quem precisa de um sentido quando se está deslumbrado por tantas coreografias feitas por homens bonitos seminus?

Por Carol Nogueira
Fonte: Folha Online

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