segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Com o pé direito

Foi assim que iniciou-se a incursão do Los Hermanos por 2010; numa noite fria, seca, poeirenta, mas inesquecível para quem, como eu, a vivenciou. Após a intensa bateria de ensaios, era chegada a hora de por à prova nosso entrosamento e nosso repertório, frente a um público estimado em quase 50 mil pessoas, sem contar tantos outros que nos assistiriam de casa.

A enorme expectativa pelo festival se anunciava ainda na estrada que liga São Paulo à Fazenda Maeda, em cujo acostamento era possível avistar pessoas pedindo carona, caminhando à pé do nada para lugar nenhum e até um casal, que resolveu parar o carro para desfrutar de um momento, digamos, mais íntimo, ao melhor estilo Woodstock.

Chegar ao complexo onde os shows se realizariam exigia de qualquer um certa dose de paciência, não só pelo trânsito de feriado na rodovia como também pelo fato de parte do percurso necessariamente ter que ser cumprido por estradas de terra. Entre um e outro solavanco, a estranha visão de roqueiros e suas garrafas de birita nas mãos, em contraste com a serenidade dos boizinhos pastando, alheios a todo o resto.

Ao saltar da van, percebi da pior maneira possível que havia menosprezado as previsões meteorológicas, desacreditando o vento gelado, capaz de paralisar todos os dedos das mãos, que assolava o lugar. Set list definido em cima da hora, meia dúzia de polichinelos no camarim para esquentar, e lá estávamos nós de novo, juntos, num palco.

A partir daí, devo confessar que não me lembro direito do que aconteceu. Acho que entrei naquele módulo “filme da própria vida”, quando a gente perde a capacidade de avaliar e antever e passa a estar submetido à grandeza do momento, como faz um espectador no cinema. A oportunidade de se conectar com um imenso público fiel da banda, cantando em uníssono todas as músicas, é mesmo um sensação indescritível.

O engraçado é que depois os jornalistas nos perguntam: mas porque vocês resolveram fazer esses shows? E precisa responder? Basta dizer que poucas são as pessoas no mundo a possuir o privilégio de colher frutos tão incríveis de um projeto que originou-se despretenciosamente, ainda no pátio da faculdade.

Sobretudo, o que levamos dessa primeira noite do SWU, a julgar pelo mar de sorrisos que enxergávamos lá do palco, é a certeza de ter propiciado 70 minutos de satisfação e de boas recordações para tantas pessoas, inclusive nós mesmos. Sem dúvida, um começo perfeito para a miniturnê. Fim de semana que vem tem mais!

Por Bruno Medina
Fonte: G1

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