sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Black Eyed Peas encerra turnê brasileira com o fino do pop em SP

Existem bandas que você nem precisa ter um comprado um CD ou baixado uma música para conhecer todo o seu repertório. É o caso do Black Eyed Peas. No auge de sua forma, o quarteto americano encerrou na noite desta quinta-feira (4), em São Paulo, uma maratona de nove apresentações pelo território brasileiro. Durante 2h15, Will.i.am, Apl.de.ap, Taboo e Fergie transformaram o estádio do Morumbi em uma grande balada com mais de 25 músicas (leia-se: hits) de autoria própria ou covers.

O grupo subiu ao palco pontualmente às 22h com “Let’s get started” e fez um set list semelhante ao dos outros concertos nacionais, com uma ou outra improvisação de Will.i.am, a alma do grupo de maior sucesso da música pop dos últimos seis anos. Afinal, quem se pode dar ao luxo atualmente, com menos de dez anos de carreira, de enfileirar uma sequência inicial que inclui petardos do calibre de “Rock that body”, “Meet me halfway”, “Don’t phunk with my heart”, “Imma be”, “My humps”, “Hey mama” e “Mas que nada”? – essa última, acompanhada de 15 passistas
de escola-samba.

Apesar dos gritos e olhares masculinos serem todos – merecidos - para Fergie, Will.i.am é o maestro que conseguiu transformar a banda nesse fenômeno musical, que surgiu como grupo de hip & hop e hoje é de electro. Carismático em sua divertida roupa de andróide, que em certo momento do show parece um encontro do Robocop com O Exterminador do Futuro, ele rege a plateia e dispara todos aqueles lugares comuns de artistas internacionais que fazem show por aqui sem soar piegas.

E olha que o show do Black Eyed Peas é brega! Taboo faz mais o gesto de coração com as mãos que os garotos do Restart, Will.i.am toca uma keytar, aquele teclado-guitarra que foi ícone das boy band nacionais dos anos 1980, e dentre as fantasias das sete dançarinas que participam do show há uma de caixa de som à la “Transformers”. Fora os figurinos usados por Fergie, que fazia as mais fashionistas torcerem o nariz.

Mas se existe um gênero que permite coros ensaiados e glitter e raio-laser em excesso, esse gênero é o pop.

Figurantes de luxo

Até os seus primeiros 50 minutos, o show tem o máximo de decibéis possíveis e passa rápido. Depois, durante mais de meia-hora, é o momento em que cada um dos integrantes tem direito a uma apresentação solo, quase uma competição de talentos. É aí é que se percebe que o quarteto é uma dupla.

Apl.de.ap é somente um ótimo dançarino, enquanto Taboo tem zero de carisma – sua performance de “La paga”, em que divide um suposto link ao vivo com o cantor colombiano Juanes é o momento mais chato da apresentação.

Por outro lado, Fergie, a duquesa, mostra que tem bala para seguir carreira solo e se dá ao luxo de incluir no repertório do show sucessos do álbum “The dutchess”, como “Fergalicious”, “Glamorous” e a balada “Big girls don’t cry”. E ainda faltaram “London bridge” e “Clumsy”...

Já Will.i.am brinca de MC, diz que vai comprar casa no Rio e apartamento em São Paulo, faz discurso político pró-Lula ("o Brasil mudou muito desde que eu vim pela última vez há cinco anos. Vamos abençoar a nova presidente para este país se tornar o melhor do mundo nos próximos cinco") e satiriza o sotaque brasileiro enquanto dá show em um DJ set em cima de uma pick-up que chega às alturas.

Em um live farofa-mas-divertido, que misturou Guns n’ Roses, Michael Jackson, Blur, Eurythimics e Red Hot Chili Peppers, ele transformou a casa do São Paulo Futebol Clube em uma grande festa, animando até quem esteve na arquibancada mais distante do palco.

O clima se manteve assim até o final do show, com “Pump it”, “Shut up”, “Where’s the love?”, “Boom boom pow” e, claro, “I gotta a feeling”, que contou até com uma pequena referência à “Rap das armas”.

Nem precisava: o Black Eyed Peas já estava com tudo dominado há muito tempo.

Por Gustavo Miller
Foto: Daigo Oliva/G1
Fonte: G1

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