quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pronto para Ibiza, DJ argentino Elio Riso passa antes pelo Brasil


O DJ e produtor ítalo-argentino Elio Riso, 43 anos, se prepara para desembarcar no Brasil entre março e abril para divulgar o CD Space Ibiza - Louge Deluxe e tocar seu set em dois clubes: D.Edge, na capital paulista, e Giv, em Santos.

O artista deve participar de alguma balada também no sul do País, não há nada confirmado, apenas rumores de datas em Balneário Camboriú ou Florianópolis, ambos em Santa Catarina.

Riso ficou conhecido em 2005, quando ganhou um empurrão da rádio britânica BBC 1, pois teve dois de seus remixes definidos como 'essenciais' na estação. Fã do Brasil, o artista foi um dos convidados do DJ Carl Cox para tocar em tenda montada no Ultra Music Festival em 2010. Ainda em 2011, o DJ-produtor lança a segunda edição da coletânea Space Ibiza, mais 'lounge', como ele classifica, para ser "ouvida entre amigos".

Ele toca na temporada do verão europeu em Ibiza, na Espanha, conhecida por organizar as melhores festas do mundo. Antes de chegar ao Brasil e tocar em Ibiza, conversou por telefone, lá de sua terra natal, sobre música, influências em seu trabalho, e de sua paixão pelo Brasil. Confira a entrevista:

No seu mais recente trabalho, há remixes de Maria Betânia, Maria Creusa... Qual a influência da música brasileira, principalmente da MPB no seu trabalho?
Amo a música brasileira, esta inspiração musical pelo seu estilo. É difícil dizer apenas um, mas ouvi muito de Rita Lee e outros artistas brasileiros. Não diria que é uma influência, mas algo que aconteceu de forma natural. Há muita coisa de Bossa Nova (em meu som), mas não lembro exatamente quais artistas... (Lembrado pelo interlocutor, ele confirmou nomes de Tom Jobim e Vinicius de Morais).

Você costuma dizer que não há um estilo pré-definido naquilo que produz. Mas conseguimos identificar quando ouvimos algo seu. Há limitação que podemos dizer: seu trabalho vai um gênero a outro?
Depende do lugar e a energia das pessoas de cada evento. Isso é fator determinante para que eu defina meu som (em cada lugar que toco). Tudo está baseado na música eletrônica, house music, apesar de gostar mais quando toco em um lugar com uma vibração mais potente. O legal do lounge é que podemos tocar a música, e isso não interfere no trabalho, nem na conversa entre amigos... O meu novo CD é basicamente isso, relação interpessoal.

Ano passado, você esteve na edição de estreia do Ultra Music Festival. O povo brasileiro tem a imagem de ser mais receptivo quando artistas tocam ao vivo. Como foi sua recepção e qual a diferença do público de Ibiza?
Na realidade, culturalmente, o público brasileiro já está acostumado a ver artistas tocando ao vivo. Porque há muitos artistas brasileiros em turnê, e o público está educado para vê-los ao vivo. Na Europa, também acontece isso, mas lá há outro tipo de cultura pela variedade de músicas que há. Os brasileiros têm muito respeito pelo nacional, um autorrespeito à música tradicional. Sempre que toco sinto uma grande conexão e empatia vinda dos brasileiros, por isso gosto muito de ir ao Brasil.

Podemos dizer que as pistas e baladas brasileiras estão acostumadas a tocar algo comercial (das rádios), que 'incendeia' a pista e lá, como é possível perceber pelo Ibiza Lounge, o som é mais "sossegado"?
Independente do lugar, se o clube é popular, as pessoas buscam músicas comerciais, que façam bombar a pista... Quando vão a um lugar de vanguarda, buscam músicas novas nos gêneros de house, tech house ou techno.

Em 2005, suas músicas To Be Or Not To Be e I Like The New Beat foram incluídas na parada da rádio britânica BBC 1 em um set de "remixes essenciais". Quais outros DJs são essenciais para você?
Para mim, há dois DJs com quem aprendi e considero amigos, um é Carl Cox - por sua energia e seu respaldo no trabalho, que dá energia para gente. E o outro é Steve Lawler. São duas pessoas que observo, são amigos, e aprendo o tempo todo.

Há algum DJ que você vê como promissor para o mercado internacional?
Tenho amigos e referências brasileiras e acredito que Renato Ratier, Gui Boratto são as apostas. Este último passou o limite do Brasil, já é conhecido mundialmente. Na realidade, há vários produtores rendendo bons comentários na Europa e, possivelmente, estarão na temporada europeia de 2011/2012. Um novo DJ, que não é tão jovem, mas respeito muito - e está sendo comentado - é Raul Boesel. Muito bom! Ele foi corredor de automobilismo, atualmente promove festas no sul, e está preparando para se lançar como produtor.

Dentre os artistas brasileiros, como já falamos de MPB, há algum de outro ramo musical que te inspire mais?
Sempre gostei dos Paralamas (do Sucesso, banda de Herbert Vianna), que é o típico rock brasileiro... Agora estou escutando coisas de um outro grupo: Cidade Negra.

Entre CDs e produção de faixas, há uma gama de artistas de diferentes nações. Você tem vontade de trabalhar com alguém do mercado nacional?
Não tenho isso em mente, mas gostaria de trabalhar com Rita Lee, por exemplo. É uma grande fonte de inspiração.

Por André Aloi
Fonte: Terra

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