quarta-feira, 4 de maio de 2011

Duran Duran faz 30 anos

Este é um ano promissor para o Duran Duran, ainda que a banda esteja fazendo o possível para minimizar o fato. 2011 marca o 30º aniversário do álbum de estreia do grupo britânico, um esforço platinado que lançou uma carreira com vendas de mais de 100 milhões de discos em todo o mundo e 21 músicas na parada norte-americana de singles.

Mas não espere retrospectivas elaboradas. Os integrantes do Duran Duran estão mais interessados em seu novo álbum, "All You Need Is Now", do que nas coisas que vieram antes. "Já faz tanto tempo que não precisamos mais nos concentrar nisso”, diz Nick Rhodes, o tecladista de 48 anos. "Sempre há um aniversário, não é? É mais provável que celebremos o 33º aniversário do que nosso 30º. Não importa depois de algum tempo".

O baixista John Taylor concorda. "Acho que, como há um astral muito bom em torno deste novo álbum, não parece haver a necessidade [de comemoração]. Ninguém está animado para explorar esse lance do 30º aniversário. Não tem apelo para nenhum de nós. É como quando as pessoas dizem: 'ele está muito bem para 50 anos'. É uma espécie de elogio irônico. Que bom que ainda estamos juntos após 30 anos".

Mas o passado do Duran Duran definitivamente faz parte de "All You Need Is Now", o 13º álbum de estúdio do grupo e o primeiro desde "Red Carpet Massacre" (2007), com relançamentos expandidos dos primeiros álbuns e uma velha gravação ao vivo lançada durante todo esse tempo.

O disco mais moderno do Duran Duran

As 14 canções de "All You Need Is Now" --produzidas pelo atual criador de sucessos Mark Ronson, que também produz Adele, Nas e Amy Winehouse-- foram compostas no mesmo molde estilístico que o grupo introduziu em 1981, combinando elementos de dance music com sabores de rock, melodias pop e refrões ascendentes. A sonoridade é claramente moderna, mas ao mesmo tempo familiar para qualquer um que foi, ou é, fã do Duran Duran há três décadas.

E isso, diz Taylor, foi obra de Ronson. "Somos o tipo de banda obcecada em ser moderna", diz o baixista de 50 anos, que co-fundou o grupo em 1978 em Birmingham, na Inglaterra, ao lado de Rhodes, do vocalista Simon Le Bon e do baterista Roger Taylor, com o qual não tem parentesco. "Se temos um manifesto, é nunca nos repetirmos e sermos modernos o tempo todo... o que é exaustivo", reconhece.

Segundo Taylor, Mark disse que eles não precisariam atualizar a banda nem fazer nada novo. "Muita gente disse que Mark estava tentando fazer uma sequência para 'Rio', mas eu acho que, na verdade, ele nos fez ver que não precisávamos olhar fora de nós mesmos neste álbum", conta.

Rhodes hesita em colocar qualquer rótulo retrô neste projeto. "É bem contemporâneo para uma banda que já está junta há três décadas", ele insiste. "Ainda temos a curiosidade pela exploração e o desejo de sermos musicalmente não convencionais. Isso é o que mais nos empolga. Talvez aqueles primeiros álbuns sejam um modelo para o manifesto deste, mas ao fazê-lo conseguimos fechar o círculo e fazer algo que provavelmente é o álbum mais moderno que gravamos em anos".

Fãs antigamente ignorados

Deixando o mundo das grandes gravadoras, o Duran Duran lançou "All You Need Is Now" por seu próprio selo, Tapemodern, em associação com o selo Allido de Ronson e com distribuição de uma empresa independente norte-americana, a S-Curve. Uma versão com nove canções foi lançada antes do Natal. A faixa título foi oferecida como download gratuito, com quase meio milhão de fãs aproveitando a oferta, enquanto a versão física do álbum saiu em março e estreou no 29º lugar na parada de álbuns mais vendidos nos EUA.

"Neste álbum, decidimos que realmente queríamos deixar nossos fãs empolgados, e não meio que ignorá-los", diz Taylor. "Eu acho que no passado nós tínhamos como garantidos os nossos fãs. Geralmente dizíamos: 'ah, os fãs vão aceitar. Como vamos atingir o público mais amplo?' Desta vez foi tudo voltado para nossos fãs e como revigorá-los com as músicas novas".

Isso também incluiu um amplo uso de redes sociais como Facebook e Twitter para promover o álbum, assim como apresentações no festival texano South By Southwest deste ano e em um episódio da série de concertos online "Unstaged" da American Express, que os associou com o cineasta David Lynch.

"Isso é muito bom para qualquer artista, quando seu público sente essa conexão", diz Taylor. "Quando 'Red Carpet Massacre' saiu, nos sentimos muito solitários. Todo mundo no meio musical estava deprimido. Ninguém sabia como chegar ao seu público. Nós não sabíamos como chegar ao nosso público. Tem sido ótimo e você sente não apenas que está de volta, mas que há um público lá fora que também está superempolgado".

*Gary Graff é um jornalista free-lance baseado em Beverly Hills, Michigan
The New York Times Sindycate
Tradutor: George El Khouri Andolfato

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