sexta-feira, 15 de março de 2013

Há 15 anos Tim Maia saía de cena


Tim Maia chegou nos Estados Unidos em 1959, sem dinheiro, sem saber onde se hospedaria. Passou seis anos nos EUA, vivendo de bicos, e de contravenções. Foi expulso do país em 1964, depois de passar uma pequena temporada na cadeia, na Flórida, por posse de maconha. Hoje completam-se 15 anos da morte do cantor, que teve o primeiro disco lançado nos Estados Unidos, The Existencial soul of Tim Maia - nobody can live forever. Trata-se de uma compilação produzida pela Luaka Bop, gravadora de David Byrne, na série Brazilian Classics (iniciada nos anos 90).



Quando Tim Maia viajou para Nova Iorque, no final dos anos 60, ele já havia dado os passos iniciais na música profissional, com companheiros da Rua do Matoso, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Participou do grupo Os Sputniks, com Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Arlênio. Mas na época, o rock dava impressão de ser onda prestes a morrer na praia. O forte era a bossa nova. Tim Maia não fazia fé no futuro musical nem dele nem da turma da Tijuca, e foi embora. Em Nova Iorque ainda participou de um grupo de rhythm & blues chamado The Ideals.

De volta ao Brasil, descobriu, surpreso, que a turma da Tijuca, ou pelo menos parte dela, tinha vencido. Roberto e Erasmo Carlos eram ídolos do emergente iê-iê-iê. Ele continua na mesma, ou talvez pior. Demoraria alguns anos para Tim Maia ser descoberto apadrinhado por Elis Regina, seu vozeirão ecoar país afora, com o rhythm & blue e soul que bebeu na fonte em sua conturbada temporada americana. The Existencial soul of Tim Maia recebeu ótima acolhida da imprensa americana, enquanto paradoxalmente, dificilmente ele conseguiria visto de entrada para divulga-lo no país. Assim como as coletâneas anteriores da série Brazilian Classics, esta prima por fonogramas menos óbvios. As exceções são do Leme ao pontal, e Que beleza, Byrne escolheu uma maioria de canções em inglês, uma maneira mais fácil da música de Tim Maia ser tocada nos EUA. Boa parte destas é pouco conhecida no Brasil, a exemplo, de Let’s have a ball tonight (Tim Maia/Reginaldo Francisco), de um dos discos mais obscuros do “Síndico”, Tim, de 1978, lançado com selo Seroma, da época da Imunização Racional, quando o cantor caiu na independência. Outro álbum de que oram pinçadas alguns faixas para a coletânea da Luaka Bop foi o These are the songs (2001), coletânea de Tim Maia em inglês.

Por José Teles
Fonte: Jornal do Comércio

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